A força digital de Tarcísio de Freitas (Republicanos) superou a de Fernando Haddad (PT) nos últimos quatro anos. A disputa pela preferência online entre os pré-candidatos ao governo de São Paulo em 2026 inverteu a tendência observada em 2022.
Em 2022, Haddad, então candidato a presidente e com passagem como ministro da Fazenda, possuía quase 6 milhões de seguidores somados em Twitter, Facebook, Instagram e YouTube. Tarcísio, que estreava em eleições, contabilizava 2,9 milhões de inscritos nas mesmas plataformas.
Atualmente, Tarcísio lidera com 11,3 milhões de seguidores, incluindo o TikTok. Haddad atingiu 7,6 milhões nas cinco redes, segundo levantamento da Bites a pedido do GLOBO.
André Eler, diretor-técnico da Bites, atribui a diferença à estratégia de comunicação. "Enquanto Tarcísio vinha tentando cimentar a candidatura a presidente, Haddad foi um dos ministros que adotaram perfil mais discreto no governo", explica Eler. Nos últimos quatro anos, Tarcísio concentrou 82,5% da "tração" (engajamento), contra 17,5% de Haddad.
Integrantes da campanha de Haddad consideram o resultado natural, argumentando que Tarcísio, como governador, mobilizou a estrutura pública para reforçar sua presença digital. Prometem, no entanto, priorizar os canais digitais para conquistar eleitores.
Tarcísio investe em videomakers para captar conteúdo em compromissos públicos e mantém contato com o marqueteiro Pablo Nobel. Imagens aéreas com drones, mesmo dentro do Palácio dos Bandeirantes, abastecem suas redes.
Haddad obteve maior tração em apenas três semanas desde 2023: em julho de 2023, ao discutir reforma tributária; em setembro de 2025, em embate com bolsonaristas na Câmara; e após anunciar isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Em visualizações no Instagram nos últimos seis meses, Tarcísio tem média de 591,6 mil views por vídeo, contra 113,8 mil de Haddad. Tarcísio publica 10 vezes por semana, enquanto Haddad posta quatro.
Apesar da desvantagem, o cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, vê potencial de recuperação para Haddad. "Ele não está começando do zero, pelo contrário. O legado dele lá de 2018 acaba ajudando ele agora", afirma Prando.
Prando sugere que Haddad pode ter diminuído a exposição online por não almejar a eleição estadual ou por ter uma personalidade voltada a debates intelectuais. "O Tarcísio, por certo, teve uma equipe muito mais azeitada, muito mais comprometida com a alavancagem das redes sociais do que o Haddad", conclui.
Fonte: G1