A cúpula da CPI do Crime Organizado expressou forte descontentamento nesta terça-feira (7) com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de isentar o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), de depor na comissão. Senadores classificaram a medida como uma interferência nas investigações e um esvaziamento dos trabalhos do colegiado.
O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), e o relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), criticaram a decisão. Contarato afirmou que, embora precise acatar a determinação do STF, a advocacia do Senado recorrerá. "Não é razoável que a gente aprove oitiva de testemunha e o Supremo desobrigue de comparecer. Aprovamos quebra de sigilo, anulam. Não conseguimos investigar. Isso é uma afronta com a população brasileira", declarou o senador.
Vieira também lamentou a liberação de Ibaneis, argumentando que sua ausência impede o avanço das apurações sobre envolvimentos com o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. "Lamento as decisões do Supremo que estão esvaziando a CPI", disse.
A decisão de liberar Ibaneis foi tomada pelo ministro André Mendonça, que entendeu que, convocado como investigado, o ex-governador tem o direito de optar por não comparecer. Integrantes da CPI avaliam que as recentes decisões do STF, que têm garantido o direito ao silêncio e liberado depoimentos, prejudicam o alcance das investigações em sua reta final.
A comissão tem prazo para encerrar suas atividades em 14 de abril e a possibilidade de prorrogação enfrenta resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, especialmente em ano eleitoral. Vieira protocolou pedido de extensão do prazo, buscando mais tempo para coletar depoimentos e finalizar o relatório.
O relator se reunirá com Alcolumbre nesta terça-feira para discutir a prorrogação, mas a avaliação na cúpula do Senado é de pouco espaço político para tal extensão, devido a pressões de diversos setores e ao acúmulo de requerimentos de outras comissões.