O CEO global da Stellantis, Antonio Filosa, defendeu nesta segunda-feira (7) que o governo brasileiro estude um mecanismo para "equalizar" a competitividade da indústria automobilística nacional com as fabricantes chinesas que chegam ao país. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa em São Paulo.
Filosa comparou a situação com as medidas adotadas pelos Estados Unidos, que impôs tarifa de 100% aos veículos chineses, e pela Europa, que também avalia ações. Segundo ele, essa equalização é crucial para garantir a sustentabilidade do ecossistema automotivo brasileiro, que envolve centenas de fornecedores e gera milhares de empregos.
"Se não, o que está em jogo é a sustentabilidade futura de tudo isso, de cadeias de valores que estão há décadas implantadas no Brasil", afirmou Filosa.
Apesar da necessidade de equalização, Filosa disse não pedir necessariamente o aumento de impostos, mas sim um estudo para criar um mecanismo que nivele a competição. A declaração ocorre em um momento em que o governo brasileiro retomou a cobrança de impostos sobre veículos elétricos importados, com alíquotas que podem chegar a 35% em janeiro de 2027.
A Stellantis anunciou recentemente uma joint venture com a chinesa Leapmotor. Os primeiros modelos da marca, os SUVs B10 e C10, começarão a ser produzidos no Polo Automotivo de Goiana, em Pernambuco, no primeiro trimestre de 2027. Filosa atribuiu o "gap" de competitividade das marcas chinesas a uma forte ociosidade industrial na China e a 20 anos de planejamento governamental e das montadoras para criar um ecossistema de produção altamente competitivo.
Ele também mencionou que a Stellantis introduzirá a tecnologia "Reev" Flex, que permite o uso de etanol em qualquer mistura com gasolina, nos veículos da Leapmotor fabricados no Brasil. A operação na América do Sul, segundo Filosa, tem apresentado bons resultados, com a Stellantis aumentando seu market share no Brasil.
O executivo também comentou sobre a volatilidade geopolítica, citando a guerra no Oriente Médio como um fator que pode gerar inflação, e ressaltou a necessidade de as empresas se prepararem para gerenciar esse cenário.
Em fevereiro, a Stellantis anunciou um prejuízo líquido de € 22,3 bilhões em 2025, o primeiro em sua história, devido a uma baixa contábil para descontinuar modelos não lucrativos e reduzir a capacidade de fabricação de baterias.