O técnico do Iraque, Graham Arnold, trabalha para blindar seus jogadores dos efeitos da guerra no Oriente Médio enquanto a equipe se prepara para o jogo decisivo contra a Bolívia, nesta quarta-feira, no México, que vale uma vaga na Copa do Mundo de 2026. Os atletas iraquianos, que atuam no país, enfrentam uma dura realidade, com treinos e viagens realizados sob a tensão do conflito. A delegação chegou ao México após uma longa e exaustiva jornada, incluindo um percurso de carro até a Jordânia.
Arnold está determinado a não permitir que as adversidades da preparação prejudiquem o desempenho da equipe na busca pela segunda participação do Iraque em Copas. A única vez que o país esteve no mundial foi em 1986, também no México, quando foi eliminado na fase de grupos.
"Representar 46 milhões de pessoas é uma experiência única", declarou Arnold a repórteres em Monterrey, local da partida.
O confronto contra a Bolívia ocorrerá à 0h (horário de Brasília) desta quarta-feira. O vencedor integrará o Grupo I da Copa do Mundo, ao lado de França, Senegal e Noruega. A outra vaga intercontinental será disputada entre Jamaica e República Democrática do Congo. O técnico do Iraque, Graham Arnold, busca manter o foco de sua equipe apesar das dificuldades.
"O aspecto mental" é a prioridade para Arnold. "Os jogadores precisam se concentrar em si mesmos, pensar em suas famílias e amigos próximos, e não no país inteiro, senão a pressão se torna insuportável", explicou o treinador australiano.
A preparação iraquiana para a repescagem foi impactada pela guerra no Oriente Médio. A maior parte da seleção chegou ao México apenas 10 dias antes do jogo, após uma viagem de três dias saindo de Bagdá.
"Foi um mês muito difícil", admitiu Arnold, que chegou a pedir o adiamento da partida. "Tentei proteger meus jogadores de tudo isso. Há tanta coisa acontecendo no Oriente Médio; se eles pensarem muito nisso, vai afetá-los psicologicamente." Ele acredita que a classificação para a Copa pode "mudar um país e a percepção que as pessoas têm dele".
Fonte: O Globo