O presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA), Claudio "Chiqui" Tapia, foi formalmente acusado de sonegação fiscal por um juiz argentino. A AFA e outros quatro dirigentes também são alvo da acusação, que envolve a apropriação indébita de impostos e fundos da previdência social. O juiz Diego Amarante determinou o indiciamento de Tapia e impôs um bloqueio de bens no valor de 350 milhões de pesos (aproximadamente R$ 1,31 milhão), além de manter a proibição de sua saída do país. A AFA, como pessoa jurídica, também teve seus bens bloqueados.
A investigação teve origem em uma denúncia da Receita Federal Argentina (ARCA), que aponta retenções indevidas e sonegação de impostos e contribuições previdenciárias, totalizando cerca de R$ 71,5 milhões. Segundo o juiz, as ações revelam um "padrão de conduta sistemático e deliberado" para adiar o pagamento de impostos.
Em resposta, a AFA declarou que as dívidas são inexistentes e atribuiu o caso a uma perseguição política do governo do presidente Javier Milei, crítico da atual gestão da entidade. Milei tem pressionado pela conversão dos clubes de futebol de entidades sem fins lucrativos para empresas, um modelo resistido pela AFA.
Os clubes argentinos suspenderam a nona rodada do Torneio Apertura em solidariedade aos acusados. Tapia, presidente da AFA desde 2017, também enfrenta investigações por lavagem de dinheiro e críticas de torcedores e imprensa por questões como o formato do torneio local e decisões de arbitragem. A seleção argentina, atual campeã da Copa do Mundo, pode ter a participação de seu presidente no torneio de 2026 comprometida.