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domingo, 25 de outubro de 2026

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Governo é sócio do alto custo do crédito no Brasil

Governo eleva custo de crédito com IOF e outras taxações, apesar de criticar Selic. Especialistas apontam que bancos também poderiam reduzir margens e despesas.

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Governo é sócio do alto custo do crédito no Brasil

O governo brasileiro, apesar de criticar a taxa Selic, tem responsabilidade no alto custo do crédito no país. A gestão federal cobra o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de até 3,38% ao ano em financiamentos para pessoas físicas, como crédito pessoal e cheque especial. No rotativo do cartão de crédito, o IOF não tem limite, mas o impacto é menor por serem operações de curto prazo.

A alta do IOF no ano passado, segundo o governo, visava reforçar a política monetária restritiva do Banco Central. Na ocasião, as taxas de financiamento para empresas foram equiparadas às de pessoas físicas.

Além do IOF, que afeta diretamente o preço do crédito, o PIS/Cofins incide em 4,65% sobre as receitas financeiras dos bancos, elevando o custo final. A Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) de 20% para bancos e grandes fintechs também contribui, pois as instituições tendem a repassar parte desse custo ao spread bancário.

Um estudo da consultoria Oliver Wyman, encomendado pela Febraban, indicou que em 2024 o custo de captação era o principal peso do crédito livre, antes do aumento da Selic em 2025. Os tributos representavam 14% do custo final, valor próximo da margem bancária. Essa carga tributária sobe para cerca de 20% ao analisar apenas o spread bancário.

O estudo também mostrou que inadimplência (36%) e despesas administrativas (25%) têm peso maior que os tributos no custo do crédito. Isso sugere que bancos poderiam reduzir custos com gestão de inadimplência, despesas administrativas e margens de lucro.

Diante da preocupação com o endividamento e a renda das famílias, o governo poderia rever a tributação sobre o crédito, especialmente o IOF, que é de fácil manejo. A medida poderia aliviar o custo do crédito sem necessariamente impactar o já restrito quadro fiscal, desde que a estratégia evite que a redução se converta em maior lucro para o setor financeiro.

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