A Justiça do Distrito Federal suspendeu uma resolução do partido Rede Sustentabilidade que exigia aprovação da cúpula nacional para que filiados pudessem se desvencilhar da legenda por justa causa. A decisão atende a um pedido de dirigentes próximos à ministra Marina Silva e impacta diretamente a disputa interna entre sua ala e a corrente ligada à deputada Heloísa Helena.
A liminar, concedida na noite de quinta-feira (26/03/2026), suspende a exigência de anuência do diretório nacional para pedidos de desfiliação, mesmo durante a janela partidária. A ação, proposta pelo dirigente Giovanni Mockus e pela deputada estadual Marina Helou (PSB), argumentou que a resolução funcionava como um "instrumento de coerção política" para forçar a permanência de filiados contra a vontade.
A juíza Delma Santos Ribeiro acatou o argumento, citando jurisprudência eleitoral que legitima a desfiliação por justa causa, incluindo mudanças de partido dentro do prazo legal para concorrer às eleições. A resolução interna do Rede, segundo a ação, impedia negociações políticas que envolvessem a saída de mandatos.
A divisão no Rede Sustentabilidade se acentuou desde 2022, com divergências programáticas e de relação com o governo federal. Marina Silva, que integra a gestão Lula como ministra do Meio Ambiente, se alinha ao "sustentabilismo", enquanto Heloísa Helena se posiciona na oposição e defende o "ecossocialismo".
A disputa pelo comando do partido em abril, vencida por um aliado de Heloísa Helena, aprofundou os atritos. Aliados de Marina Silva alegam que mudanças na direção nacional, sob o comando do grupo de Heloísa, tornaram a saída da ministra "inevitável". O partido é presidido por Paulo Lamac.
Embora aliados informem que Marina ainda não definiu seu futuro eleitoral, ela conversa com PT, PSB, PSOL e PV. Uma possível candidatura ao Senado por São Paulo, segundo ela, só ocorreria com apoio à reeleição de Lula, construção de frente ampla e fortalecimento da agenda verde.