A Justiça italiana deu aval para a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli ao Brasil. A decisão, porém, ainda depende de referendo do Ministério da Justiça da Itália. A mãe de Zambelli, Rita Zambelli, classificou a notícia como um "golpe duro" e um "pesadelo". Em vídeo divulgado nas redes sociais, Rita expressou esperança de que o "pesadelo acabasse" e acusou o que chamou de "perseguição injusta".
A defesa de Carla Zambelli já prepara um recurso à Corte de Cassação italiana, com prazo de 15 dias para apresentação. Rita Zambelli afirmou que sua fé a sustenta e agradeceu aos apoiadores em nome da filha, declarando que "minha filha, eles podem tentar te calar, calar a sua voz, mas você jamais será silenciada".
A expectativa da defesa é pelo posicionamento do ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio, que teria a palavra final sobre a extradição, considerada pelos advogados como uma decisão política. A Corte italiana rejeitou a tese de perseguição política e de que os crimes imputados à ex-deputada seriam delitos comuns, conduzidos de acordo com as normas constitucionais brasileiras.
Entre os argumentos da defesa rejeitados pela Justiça italiana estavam a acusação de parcialidade do relator no Brasil, a natureza política do processo, a validade do foro no STF, a cidadania italiana de Zambelli – considerada "meramente formal" –, e a falta de condições e não cumprimento dos direitos humanos na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF), conhecida como Colmeia.
Carla Zambelli foi condenada duas vezes pelo STF: a dez anos de prisão pela invasão de sistemas do CNJ e a cinco anos por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, relacionados a um episódio de perseguição a um homem em São Paulo com arma em punho. A ex-deputada deixou o Brasil em maio do ano passado e, em dezembro, a Câmara dos Deputados rejeitou sua cassação, mas o STF anulou a votação e decretou diretamente a perda do mandato.
Enquanto o processo de extradição tramitava, a Justiça italiana decidiu manter Zambelli detida na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, por risco de fuga. Caso extraditada, a ex-parlamentar ficará presa na Colmeia, unidade de segurança média destinada a mulheres em regime fechado, semiaberto e presas provisórias.