O vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), acusou nesta quarta-feira (25) o governador Carlos Brandão (sem partido) de usar o Ministério Público e a estrutura do Estado para persegui-lo politicamente. A declaração surge após o procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, pedir o afastamento de Camarão do cargo, suspeito de envolvimento em movimentações financeiras atípicas.
Em nota oficial, Camarão afirmou que sua vida pessoal e familiar é alvo de um “monitoramento ilegal” e que as acusações são “infundadas” e baseadas em “ilações”. Segundo o vice-governador, a ação tem motivação eleitoral e visa favorecer uma possível candidatura de Brandão ao Senado./2026/03/25/vice-governador-do-ma-acusa-governo-de-perseguicao-politica-em-meio-a-disputa-eleitoral/
“O governador manipula as instituições do Estado do Maranhão para atingir seus adversários”, declarou Camarão, que rompeu politicamente com Brandão no fim de 2025. Ele classificou o pedido de afastamento como tendo um “timing perfeito” para beneficiar o grupo político do governador.
O governo do Maranhão, por sua vez, negou ingerência no caso. Em nota, afirmou que a medida é conduzida “exclusivamente pelo Ministério Público do Estado do Maranhão, órgão dotado de independência funcional e autonomia em relação ao Poder Executivo Estadual”. O executivo estadual disse ter tomado conhecimento do pedido de afastamento pela mídia e repudiou “qualquer tentativa de politização do caso ou ilações infundadas”.
Camarão é pré-candidato ao governo do estado e disputa o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para 2026 contra o grupo de Brandão, que lançou seu sobrinho, Orleans Brandão (MDB), como pré-candidato. A crise se intensifica em um cenário de disputa política acirrada no Maranhão.
O vice-governador também denunciou o vazamento de informações sigilosas da investigação, acionando o Tribunal de Justiça do Maranhão e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para apurar responsabilidades.