A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro apresentou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) que se manifesta a favor da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Michelle utilizou o documento como principal argumento para reforçar o pedido de mudança de regime.
O parecer da PGR, enviado ao STF nesta segunda-feira (23/03/2026), é o primeiro favorável à concessão da domiciliar. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, argumentou que o quadro de saúde de Bolsonaro requer monitoramento contínuo e que há risco de alterações súbitas e imprevisíveis. Segundo Gonet, o sistema prisional não oferece as condições necessárias para esse acompanhamento, sendo o ambiente familiar mais adequado para garantir a integridade física do ex-presidente.
De acordo com relatos, Michelle declarou a Moraes que os fundamentos da PGR são válidos e insistiu que Bolsonaro não pode dormir sozinho. Ela relembrou episódios recentes de broncoaspiração que levaram o ex-presidente ao hospital e afirmou que o risco já havia se concretizado, conforme alertara ao ministro em janeiro.
Emocionada, a ex-primeira-dama detalhou a logística familiar para o cuidado de Bolsonaro, mencionando a preparação diária de refeições e o apoio de familiares e do irmão. Ressaltou que em casa o cuidado seria mais simples e contínuo, envolvendo também a filha, para sensibilizar Moraes.
Michelle buscou aliar o respaldo técnico da PGR a exemplos práticos da dinâmica familiar, argumentando que a prisão domiciliar atenderia às recomendações médicas e permitiria uma assistência diária mais próxima.
A reunião durou cerca de 20 minutos. Michelle deixou o encontro com a expectativa de um desfecho favorável. Aliados preveem a concessão da prisão domiciliar até o fim da semana, possivelmente antes da alta hospitalar de Bolsonaro, que ainda não tem data definida, mas deve ocorrer em, no mínimo, três dias após sua transferência para o quarto na noite de segunda-feira. A decisão final cabe a Alexandre de Moraes.
Fonte: G1