A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS entra em sua última semana de trabalhos, com prazo final para o próximo sábado, dia 28 de março de 2026. A comissão não tem sinais de que seu prazo será estendido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União). As apurações, que investigaram desde um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conhecido como Lulinha, até as relações do Banco Master com figuras do Legislativo e Judiciário, geraram desgastes entre os Três Poderes.
A inclusão do Banco Master no foco da CPI intensificou atritos com o Supremo Tribunal Federal (STF), após menções aos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Embora parte dos integrantes da comissão ainda defenda a prorrogação das investigações, um grupo crescente avalia que o cenário atual é de esvaziamento.
A decisão sobre a extensão dos trabalhos, que também depende de análise do ministro do STF André Mendonça, relator de um mandado de segurança para ampliação por 120 dias, segue indefinida. Novos capítulos no embate entre a CPI e o STF surgiram na última semana, quando o ministro Flávio Dino solicitou explicações ao senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da comissão. Viana foi questionado sobre o envio de R$ 3,6 milhões em emendas para uma fundação ligada à Igreja da Lagoinha, que também é investigada no caso Master.
Em resposta, Viana declarou que a quebra de sigilo de Daniel Vorcaro, do Banco Master, revelou indícios de contato com um número ligado ao STF. O senador oficiou a Corte para identificar os usuários do número. O desgaste também atingiu Alcolumbre, que adiou por meses o pedido de extensão da CPI, após pessoas próximas, como o ex-chefe de gabinete Paulo Boudens, serem citadas em repasses ligados a fraudes. A Polícia Federal aponta Boudens como beneficiário.
A CPI também investigou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Uma tentativa de quebra de sigilo do empresário foi aprovada em votação tumultuada na comissão, mas posteriormente anulada pelo STF por erros de procedimento. Vazamentos de documentos sensíveis, incluindo conversas de Vorcaro com a ex-namorada Martha Graeff, também geraram atritos com a Polícia Federal, que alegou acesso indevido a dados em nuvem após restrição do STF. Internamente, parlamentares reconhecem que a comissão perdeu o foco com múltiplas frentes de investigação simultâneas, criticando a condução dos trabalhos pela presidência.
Fonte: O Globo