A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou o contador preso no Rio, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), como um dos responsáveis por um esquema que permitiu o acesso indevido às declarações de Imposto de Renda de 1.819 contribuintes. Entre os lesados estão autoridades de alto escalão, incluindo ministros do STF e do Tribunal de Contas da União (TCU), deputados federais, ex-senadores, um ex-governador, dirigentes de agências reguladoras, empresários e outras personalidades públicas.
A informação consta no despacho que embasou a prisão do contador, identificado como Washington. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a detenção do profissional sob suspeita de envolvimento no vazamento de dados sigilosos. A Polícia Federal (PF) conduziu a prisão, que ocorreu após uma operação inicial do órgão no início de março, focada em suspeitos de vazamentos de dados fiscais de membros da Corte e seus parentes.
Washington, com registro ativo como contador no Rio de Janeiro e com uma firma aberta na capital fluminense desde 2015, também possuía uma empresa recém-aberta em São Paulo. Documentos do governo do Rio indicam que ele foi detido em 13 de março, no presídio José Frederico Marques. Uma semana antes, a PF já havia realizado buscas e cumprido mandados de prisão temporária contra outros suspeitos.
O STF, em nota, confirmou que Washington foi apontado pela PF como um dos mandantes na obtenção dos dados protegidos por sigilo. A Corte ressaltou que o esquema envolveu o download das declarações de Imposto de Renda, informações consideradas sigilosas. A defesa do contador não se manifestou sobre o caso.