Entidades do setor de combustíveis alertaram, em nota conjunta nesta sexta-feira (20), que as medidas adotadas pelo governo federal para conter a alta dos preços terão impacto limitado no valor final ao consumidor e podem levar ao risco de desabastecimento de diesel no país. O documento é assinado por representantes de postos, distribuidoras, refinarias privadas e importadores.
As entidades reconhecem que a isenção de impostos federais e a subvenção de até R$ 30 bilhões auxiliam na redução de custos. No entanto, afirmam que os efeitos não chegam integralmente às bombas. Um dos motivos apontados é que os incentivos se aplicam ao diesel A (vendido às distribuidoras), enquanto o consumidor final adquire o diesel B, que contém 15% de biodiesel.
O setor também aponta que o aumento de R$ 0,38 por litro no diesel A, anunciado pela Petrobras, deve resultar em uma alta de cerca de R$ 0,32 no diesel B. Leilões recentes indicam que o diesel A está sendo negociado entre R$ 1,80 e R$ 2 por litro, valores superiores às próprias referências da estatal.
A nota ressalta que parte significativa do abastecimento nacional depende de refinarias privadas e importadores. Caso a Petrobras mantenha preços desalinhados em relação ao mercado internacional e não aumente sua oferta, esses agentes podem reduzir seus volumes, elevando o risco de escassez do produto.
Considerando que o diesel é o principal combustível para o transporte de cargas no Brasil, o setor alerta para possíveis impactos nos custos de frete, alimentos, produtos industriais e serviços. O documento finaliza afirmando que a efetividade das medidas governamentais depende de diversos fatores, como a proporção da mistura obrigatória de biodiesel, o custo deste, o ICMS, o frete, os custos operacionais e a origem do produto.
Fonte: O Globo