O Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT) solicitou ao Tribunal de Justiça do estado a abertura de uma investigação contra o deputado Valmir Moretto. A solicitação ocorre após a gravação de Moretto comemorando uma licitação em um evento em Pontes e Lacerda, ocorrido no início desta semana. Um procedimento cível paralelo também foi instaurado pelo MP.
Em áudio que repercutiu nas redes sociais, Moretto afirma: “Quase 200 milhões — três obras lá. Duas é Agrimat, uma é a minha.” A declaração foi feita na terça-feira (17/03/2026), durante um evento com o governador Mauro Mendes, onde foram anunciados investimentos no município. O governo informou que o valor total dos convênios assinados ultrapassou R$ 200 milhões, e que a obra do hospital anunciado ainda não teve a licitação iniciada.
Após a divulgação do áudio, Moretto se manifestou em redes sociais, atribuindo a comemoração a um “vício de linguagem”. Ele alegou ser um dos fundadores da empresa de construção civil em questão e ter deixado o quadro societário após se eleger. “A comemoração não era sobre o vencimento da licitação. A minha alegria, minha felicidade é pela realização. Foram muitos anos de trabalho, três anos de trabalho em busca de desenvolvimento para a nossa região”, declarou o deputado.
O governo de Mato Grosso reforçou, em nota, que os processos licitatórios seguem critérios técnicos e legislação vigente, e que nenhuma obra contratada pelo estado tem parlamentares no quadro societário das empresas vencedoras.
Moretto é réu em um processo no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) sob acusação de direcionar licitações a empresas ligadas a ele quando era prefeito de Nova Lacerda. O MPF alega que Moretto é o dono oculto da Oeste Construtora, anteriormente VL Moretto. Embora tenha deixado a sociedade em dezembro de 2018, antes de assumir o cargo, a investigação aponta que ele continuou dando ordens e teria recebido R$ 1 milhão de seu irmão, Glenio Moretto, que assumiu o controle da empresa, como indício de que permaneceu como beneficiário.
A ação deriva da Operação Trapaça, que investigou Moretto e outros políticos. O esquema, segundo o MPF, funcionava em parceria com o então prefeito de Salto do Céu, Wemerson Prata, e consistia em dar aparência de concorrência a licitações cujos resultados já estavam pré-determinados. A ação ainda tramita na Justiça Federal de Mato Grosso.
Fonte: G1