O presidente da Câmara, Arthur Lira, defendeu nesta terça-feira (17) que o Congresso avance com cautela na proposta de redução da jornada de trabalho no modelo 6x1. A declaração ocorreu após pressão de representantes do setor produtivo, que alertaram sobre os impactos econômicos da medida.
Em almoço com a Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo (FPE), Lira afirmou que o país precisa entender como a economia absorverá a mudança. "O que nós temos que entender é como o país vai absorver essa redução de jornada de trabalho. [...] E o país que eu falo é o governo, é o setor produtivo. É entendermos como isso poderá ser viabilizado, para que a partir daí nós tenhamos a condição de avançar numa proposta", declarou.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que discute a redução da jornada 6x1 ainda está em fase inicial na Câmara, pendente de aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Na semana passada, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu que a discussão ocorra por meio de PEC.
Lira assegurou que os debates serão conduzidos com transparência e foco em consenso. "Por mais que estejamos em ano de eleição, nós não vamos conduzir esse debate de maneira atropelada, de maneira descompromissada, sem medir as consequências", garantiu.
Vander Giordano, executivo da Multiplan e integrante do conselho da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), expressou preocupação com os possíveis impactos em serviços públicos, setores de regime contínuo como mineração e no comércio, especialmente em shoppings. Ele questionou a capacidade de adaptação de municípios e empresas.
Em resposta, Lira pediu que os setores apresentem dados concretos sobre os efeitos da redução da jornada. "Não é só ficar contra por ficar contra. Tem que os setores impactados poderem, em cima da mesa, num debate amplo, transparente, trazer os impactos para a economia, trazer aquilo que será um efeito prático da decisão de se reduzir a jornada de trabalho", concluiu.
Fonte: O Globo