O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), enfrentou uma semana de fortes desgastes. As investigações sobre o envolvimento do Banco de Brasília (BRB) no caso Master e um esquema de corrupção na Secretaria de Educação, que apura o desvio de R$ 50 milhões, abalaram sua gestão. O líder de governo na Câmara Legislativa, deputado Hermeto (MDB), tornou-se alvo de operação do Ministério Público do DF. Em sua defesa, Hermeto alegou não ter relação com os contratos da Secretaria de Educação e que os recursos de suas emendas foram destinados à reforma de escolas.
Ibaneis se pronunciou sobre o caso, afirmando não ter envolvimento e que "cada um tem seus problemas para resolver com a Justiça". O governador também recusou um convite para comparecer à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para prestar esclarecimentos sobre a relação do BRB com o Banco Master, alegando falta de conhecimento técnico.
O racha com o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, se concretizou com o protocolo de um pedido de abertura de CPI para investigar a gestão do BRB e o caso Master. O PL questiona a "ausência de explicações concretas" do governo Ibaneis. A decisão do PL é vista como um movimento para viabilizar a candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao Senado, em oposição a uma possível chapa de Ibaneis.
O caso Master envolve um esquema de corrupção em contratos de locação de imóveis da Secretaria de Educação, com desvio de cerca de R$ 50 milhões, em parte oriundos de emendas parlamentares. O deputado Hermeto foi um dos alvos da operação do MPDFT. Paralelamente, a relação do BRB com o Banco Master gerou questionamentos após o Banco Central barrar a negociação entre as instituições em setembro passado. Recentemente, o BRB registrou um rombo de R$ 12,2 bilhões após a compra de carteiras fraudulentas do banco de Daniel Vorcaro.
O PL protocolou o pedido de CPI na Câmara Legislativa, assinado pelos distritais Thiago Manzoni, Joaquim Roriz e Roosevelt Vilela (PL), e Rogério Morro da Cruz (PRD). A iniciativa busca "apurar as circunstâncias, a regularidade, os procedimentos de governança, avaliação de risco e tomada de decisão relacionados às negociações e operações realizadas entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master".