Líderes próximos ao presidente da Câmara, Arthur Lira (Republicanos-PB), trabalham para evitar uma divisão no bloco de apoio ao comando da Casa na disputa pela vaga de conselheiro no Tribunal de Contas da União (TCU). A principal preocupação é garantir que o deputado Odair Cunha (PT-MG) seja eleito, ao mesmo tempo em que se busca coesão política no grupo que sustenta Lira.
O União Brasil e o PSD, que apoiaram Lira para a presidência da Câmara, negam participação em acordo prévio sobre a vaga no TCU. Aliados de Lira tentam, contudo, assegurar o apoio dessas legendas para evitar distanciamento.
Lira e Odair buscam votos para a candidatura do petista. O presidente da Câmara conversou com o líder do PSD, Antonio Brito (BA), e Odair procurou o deputado Elmar Nascimento (União-BA), ambos interessados na vaga. As legendas, no entanto, não se comprometeram publicamente com o apoio.
"Estou conversando, tentando entender de todos que estão aspirando à vaga quem tem o apoio de quem. Para você disputar não é só registrar, tem que ter uma indicação de partido", afirmou Lira ao GLOBO.
Lira relativizou a existência de múltiplas candidaturas, afirmando ser "histórico" e que isso "não quer dizer que o bloco que me elegeu está fragmentando".
O União Brasil tem um diálogo mais avançado, embora a legenda ainda não tenha definido posição oficial. O partido tem como nome para o cargo o deputado Elmar Nascimento, que declarou: "O partido tem candidato e está decidido".
A vaga no TCU está aberta desde fevereiro, com a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz. Ainda não há data definida para a eleição, com parlamentares buscando marcar para a próxima semana, que terá votações presenciais.
Lira indicou que ainda não há acordo para marcar a eleição, pois conversa com candidatos, partidos e líderes para definir o melhor momento. Ele ressaltou que não há prejuízo, pois existem juízes substitutos.
A votação é vista como um teste para a capacidade de Lira manter o acordo com o PT e obter apoio suficiente para eleger o indicado do partido. Lira declarou que trabalhará para Odair ser o próximo ministro.
Integrantes do Centrão avaliam que Lira cometeu erros nas negociações, por não ter uma estratégia clara e tratar o caso como acordo e campanha simultaneamente. Criticam também o forte vínculo de Lira com a disputa, argumentando que ele poderia ter escolhido outro nome para evitar desgaste.
Por outro lado, aliados de Lira veem chances de Odair vencer e apontam para um cenário menos conflituoso na Câmara neste ano, em contraste com desgastes no final do ano passado, como o "motim bolsonarista" e processos de cassação.
Apesar das divergências, a questão do TCU não é vinculada à sucessão na Câmara, que dependerá dos eleitos em 2026 e do próximo presidente da República.
O apoio a Odair faz parte de um compromisso político de 2024, quando o PT apoiou a candidatura de Lira à presidência da Casa em troca do apoio a um indicado do partido para o TCU.
Além de Odair, Elmar e Hugo Leal, disputam a vaga Danilo Forte (União-CE), Hélio Lopes (PL-RJ) e Adriana Ventura (Novo-SP).
Uma alternativa em negociação é o apoio da bancada do PL a Odair, em troca de um futuro apoio do PT a Altineu Côrtes (PL-RJ) para outra vaga no TCU, prevista com a aposentadoria do ministro Augusto Nardes no próximo ano.
Lira busca atrair apoio de bancadas como União Brasil e PSD, cujos nomes são adversários de Odair, conversando diretamente com líderes e parlamentares para evitar que fechem apoio consolidado a candidaturas concorrentes.
A disputa é acompanhada como um termômetro da capacidade de articulação de Lira, especialmente após episódios de tensão com deputados no último ano.
Fonte: O Globo