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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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ECONOMIA

Isenção do IR não impulsiona aprovação de Lula como esperado

Isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil não se reflete em alta na aprovação do governo Lula. Especialistas apontam fatores econômicos, políticos e operacionais que limitam o impacto da medida.

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Isenção do IR não impulsiona aprovação de Lula como esperado

A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, principal aposta do governo Lula para o ano eleitoral, tem apresentado um impacto político inferior ao esperado. Apesar de a medida ter entrado em vigor em janeiro e os primeiros contracheques com a desoneração terem sido pagos em fevereiro e março, as pesquisas de opinião pública mostram a aprovação do governo estagnada ou com leve piora. O presidente Lula viu seu principal adversário crescer nas pesquisas, alcançando um empate técnico.

Integrantes do governo argumentam que medidas isoladas raramente geram grandes saltos de popularidade e que é preciso aguardar um tempo maior para dimensionar o impacto real na percepção pública. Eles lembram que o início do ano é um período de despesas elevadas para as famílias, com gastos de fim de ano, material escolar, transporte e impostos como o IPVA. A expectativa é que, após essa fase, o ganho de renda se torne mais claro, gerando um bônus político.

O estímulo econômico também se daria pelo aumento da capacidade de consumo dessa parcela da população, mesmo que parte da renda extra seja poupada ou usada para quitar dívidas. Contudo, outros fatores conjunturais e políticos afetam a percepção da população.

A estagnação do consumo no segundo semestre do ano passado, apesar da queda da inflação, é atribuída aos juros altos. Além disso, o chamado "bônus" da queda da inflação de alimentos, impulsionado pela valorização do real ante o dólar, parece ter chegado ao fim.

Um interlocutor do governo aponta que a renda real tem aumentado nos últimos anos, mas sem reflexo significativo na aprovação. O economista Manoel Pires, do FGV Ibre, corrobora essa visão, mencionando um "custo de ser incumbente" no cenário político global, que dificulta a manutenção da popularidade de governos. Ele cita exemplos como EUA, Europa e Chile.

Pires também destaca fatores econômicos que frustram expectativas. O Bolsa Família, mantido em R$ 600 desde 2023, sofreu perda de poder de compra devido à inflação de alimentos, neutralizando a sensação de melhora econômica, mesmo com um mercado de trabalho forte.

Para a classe média, público-alvo da isenção do IR, um fator operacional pode estar pesando: apenas trabalhadores com retenção na fonte, como os assalariados com carteira assinada, sentem o benefício imediatamente. Profissionais liberais e autônomos só perceberão o impacto total na declaração do próximo ano, reduzindo o retorno político imediato em um grupo já mais refratário a governos no poder.

O cenário futuro apresenta desafios. Embora o Banco Central sinalize corte de juros, a crise no Oriente Médio pode complicar a decisão e gerar repasses de preços. Fonte: O Globo

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