O governo dos Estados Unidos iniciou nesta quarta-feira uma ampla investigação comercial contra a China, a União Europeia e outros 10 parceiros comerciais. A medida, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio, visa apurar alegações de excesso de capacidade industrial e pode levar à imposição de novas tarifas. O objetivo é contornar decisões judiciais que derrubaram tarifas anteriores.
O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, anunciou que a investigação focará em economias que, segundo o governo americano, desenvolveram capacidade produtiva desvinculada de incentivos de mercado. A lista de países investigados inclui China, União Europeia, México, Índia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Suíça, Noruega, Indonésia, Cingapura, Tailândia, Malásia, Camboja, Vietnã e Bangladesh.
A iniciativa marca a tentativa do governo de restabelecer o "muro tarifário" de Donald Trump após a Suprema Corte invalidar tarifas globais. O processo de investigação pode durar meses e é um passo necessário para que o presidente aplique unilateralmente novas sobretaxas contra países considerados desleais no comércio.
A investigação pode aumentar as tensões com a China antes de uma cúpula entre Trump e Xi Jinping. No México, a medida pode impactar as negociações do acordo comercial da América do Norte. O Canadá não está entre os alvos iniciais.
O governo Trump também pretende abrir uma investigação separada sobre importações produzidas com trabalho forçado, abrangendo cerca de 60 países. Outras investigações, focadas em impostos sobre serviços digitais, preços de medicamentos e práticas ambientais, também são esperadas.
O objetivo é concluir as investigações antes que as tarifas temporárias expirem, permitindo a substituição por novas sobretaxas. O governo busca reconstruir o regime de tarifas para compensar a perda de receita gerada por medidas anteriores.