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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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Empresas recorrem cada vez mais à recuperação extrajudicial para evitar custos elevados e negociar individualmente com credores

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Empresas recorrem cada vez mais à recuperação extrajudicial para evitar custos elevados e negociar individualmente com credores

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Um número recorde de empresas brasileiras está optando pela recuperação extrajudicial (REJ) como estratégia para renegociar dívidas e evitar os altos custos e a exposição da recuperação judicial tradicional. Em 2023, 78 companhias recorreram a essa modalidade, superando as 65 de 2022. Somente neste ano, sete empresas já solicitaram a REJ, com dívidas renegociadas ultrapassando R$ 200 bilhões.

Gigantes como Raízen e Grupo Pão de Açúcar demonstraram a viabilidade da REJ para empresas com fluxo de caixa e capacidade de negociação com credores, mas que precisam de tempo para reestruturar seu endividamento.

A reforma da Lei 11.101 em 2020 ampliou a segurança jurídica e o alcance da recuperação extrajudicial, tornando-a mais atrativa. Especialistas apontam que o cenário de juros altos persistentes exauriu o caixa de diversos setores, como varejo, agronegócio e imobiliário, impulsionando a busca pela REJ.

A recuperação extrajudicial é um processo mais rápido, menos oneroso e com menor exposição pública. Permite que a empresa selecione grupos de credores para renegociação, geralmente focando em dívidas financeiras e deixando de fora fornecedores e trabalhadores. Em muitos casos, os bancos credores aderem mais facilmente, pois preferem negociar a perder dinheiro em processos judiciais mais longos e com menor controle.

A recuperação judicial tradicional, por outro lado, é vista como um processo mais \"duro\", que pode estigmatizar a empresa, gerar custos maiores com supervisão judicial e impactar negativamente as operações, como o corte de crédito por fornecedores.

A REJ é descrita como uma ferramenta \"cirúrgica\" que isola o problema financeiro sem contaminar o passivo operacional. Permite que o empresário resolva a \"asfixia da dívida\" de forma privada, enquanto a empresa continua operando e gerando receita. A recuperação judicial é reservada para momentos críticos, quando a empresa perdeu o controle e os credores já executam garantias.

Para iniciar uma REJ, um terço dos credores deve concordar com a renegociação. Segue-se um prazo de 90 dias de suspensão de cobranças e pagamentos para discussão. O acordo final precisa da aprovação de mais de 50% dos credores para ser homologado.

O impacto dos juros altos é generalizado. No varejo, a alta da Selic eleva o custo de captação e reduz o poder de compra do consumidor, estrangulando as operações. No agronegócio, o endividamento para expansão, somado a problemas climáticos ou de mercado, dificulta o pagamento das dívidas. Contudo, especialistas alertam que empresas de qualquer setor que se financiaram com crédito caro estão enfrentando dificuldades.

Fonte: O Globo

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