A Raízen, gigante do setor de açúcar, etanol e biocombustíveis, atravessa uma grave crise financeira, acumulando uma dívida de R$ 65 bilhões. A empresa, que realizou pesados investimentos em bioenergia e ampliação de capacidade produtiva nos últimos anos, sofre com juros elevados, que encareceram seu endividamento, além de perdas de safra causadas por instabilidade climática e incêndios. A aposta em etanol de segunda geração (E2G) também não gerou o retorno esperado.
A situação delicada levou a Raízen a buscar uma recuperação extrajudicial para renegociar seus débitos. O CEO da Cosan, sócia da Raízen, admitiu que um aporte de R$ 4 bilhões não é suficiente para solucionar o problema financeiro da companhia.
A preocupação se estende ao governo, visto que a Raízen é crucial para a agenda de transição energética do Brasil. Em fevereiro, o presidente Lula se reuniu com representantes da Shell e da Cosan, controladores da empresa, e com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para discutir a crise.
Criada em 2011 pela união das operações de açúcar e etanol da Cosan com a rede de distribuição de combustíveis da Shell no Brasil, a Raízen se expandiu para diversas áreas da cadeia energética. A empresa atua na produção de açúcar, etanol de primeira e segunda geração, bioeletricidade e biogás. Além disso, gerencia cerca de 9 mil postos de combustíveis da marca Shell no Brasil, Argentina e Paraguai. Possui mais de 46 mil funcionários e cultiva aproximadamente 1,3 milhão de hectares de cana-de-açúcar.
Os investimentos em E2G, focados em resíduos da cana, incluíam a expansão para 20 unidades até 2030, com um aporte médio de R$ 1,2 bilhão por fábrica. No entanto, a viabilidade econômica do E2G enfrenta barreiras, como o alto custo inicial e a complexidade tecnológica. O etanol de milho, mais competitivo e produzido o ano todo, tem ganhado espaço no mercado.
Após registrar lucro líquido de R$ 3 bilhões e dívida de R$ 13,8 bilhões no ano fiscal de 2021/2022, a Raízen passou a enfrentar prejuízos. Até o terceiro trimestre do ano fiscal de 2025/2026, o prejuízo acumulado atingiu R$ 15,6 bilhões. Parte desse resultado se deve a um ajuste contábil de R$ 11 bilhões, relacionado à desvalorização de ativos. A dívida líquida saltou para R$ 65 bilhões, forçando a renegociação com credores.