O Ministério da Fazenda iniciou estudos para quantificar os efeitos da recente elevação dos preços do petróleo sobre a inflação, o Produto Interno Bruto (PIB) e a arrecadação do governo. A iniciativa atende a uma solicitação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para analisar diferentes cenários e definir possíveis políticas de resposta.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que a pasta está mapeando os impactos da volatilidade do barril de petróleo, influenciada por tensões geopolíticas no Oriente Médio. Haddad enfatizou a necessidade de cautela para evitar decisões precipitadas diante das oscilações diárias do mercado, que já viram o preço do Brent recuar 10% em um dia após declarações sobre o fim do conflito no Irã.
O Ministério de Minas e Energia (MME) também monitora as cadeias de suprimento globais e a logística nacional de combustíveis. Em nota, a pasta informou que a exposição direta do Brasil ao conflito é considerada limitada, apesar da instabilidade internacional. O Brasil, embora grande produtor de petróleo bruto, ainda depende da importação de derivados, como o diesel, o que o torna vulnerável a choques de preço.
A Secretaria de Política Econômica (SPE) da Fazenda apresentará uma nota técnica com estimativas de impacto em diferentes cenários de preço do petróleo. Especialistas alertam que uma cotação sustentada acima de US$ 120 por barril poderia gerar forte pressão inflacionária e afetar o custo logístico no país.
O ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, ressaltou que o mercado tende a reagir exageradamente a crises geopolíticas no curto prazo, adicionando um prêmio de risco ao preço do petróleo. Ele prevê oscilações significativas e aponta que, embora um barril mais caro beneficie a balança comercial e a arrecadação com royalties, a importação de derivados como o diesel pode gerar pressão sobre os preços internos e a inflação. Prates também destacou o desafio da Petrobras em gerenciar essa volatilidade sem repassar cada oscilação ao consumidor ou criar desabastecimento.