As exportações brasileiras registraram um avanço de 14,5% em média diária até a terceira semana de fevereiro, superando um cenário internacional de crescentes tarifas e instabilidade, segundo dados recentes. Apesar das políticas protecionistas de outros países e do conflito no Irã, o Brasil demonstra resiliência em suas vendas externas.
O saldo da balança comercial no período alcançou US$ 7,2 bilhões. Este desempenho sucede um 2025 de crescimento, quando as vendas externas totalizaram US$ 348,7 bilhões, gerando um superávit de US$ 68,3 bilhões. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) projeta para o ano um superávit entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões.
Especialistas, no entanto, apresentam projeções mais conservadoras. A Tendências Consultoria, por exemplo, prevê uma queda nas exportações para US$ 330,6 bilhões, atribuindo o cenário a um menor dinamismo do agronegócio e ao esfriamento da economia. O aumento do protecionismo global, intensificado após a gestão Trump, e barreiras comerciais impostas por países como China, México e União Europeia, adicionam complexidade ao comércio internacional.
O Brasil busca mitigar esses desafios com a diversificação de parceiros comerciais, incluindo acordos com o Mercosul, União Europeia, Coreia do Sul, Canadá e Japão. O acordo Mercosul-União Europeia, com expectativa de redução tarifária a partir de maio, é visto como um passo crucial, beneficiando setores como agronegócio, petróleo e mineração.
O alívio com a suspensão de tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos representa uma vitória para cerca de US$ 14,6 bilhões em exportações brasileiras, especialmente bens industriais. Contudo, o risco de novas tarifas ou barreiras não tarifárias, decorrentes de investigações comerciais americanas, e o impacto da guerra no Irã sobre custos de fertilizantes e preços de commodities, permanecem como incertezas.
A instabilidade global, com o potencial encarecimento de fertilizantes e a possível revisão para baixo do crescimento econômico mundial, impacta o agronegócio, principal pilar das exportações brasileiras. Por outro lado, a alta nos preços do petróleo pode beneficiar a balança comercial.
Apesar dos números positivos recentes, a competitividade da indústria brasileira e a falta de um plano estratégico de longo prazo para infraestrutura e regulação são apontados como fatores que limitam uma participação maior do Brasil no comércio mundial.