O CEO da Cosan, Marcelo Martins, declarou nesta terça-feira que o aporte de capital de R$ 3,5 bilhões anunciado na semana passada pela Shell na Raízen, joint venture entre as duas empresas, não será suficiente para resolver a crise financeira da companhia. A Raízen enfrenta dificuldades financeiras há mais de um ano.
Martins revelou que a Cosan chegou a considerar a separação de negócios ou a venda de participações em operações da Raízen. No entanto, essas alternativas foram descartadas após negociações com a Shell. O executivo afirmou que não houve consenso sobre a participação da Cosan na nova estrutura de capital da Raízen.
"Nosso entendimento é que não é suficiente essa contribuição de capital para a gente ter uma estrutura de capital sem um nível de conversão considerável (de dívidas em ações) que está sendo debatido", disse Martins em uma call com investidores.
O objetivo da Cosan é reduzir sua alavancagem e dívida. Martins indicou que a empresa implementará em breve uma estratégia de desalavancagem, mas negou que haja decisão de vender ativos no momento.
A Cosan registrou prejuízo líquido de R$ 5,8 bilhões no quarto trimestre de 2025, uma redução de 38% em relação ao mesmo período do ano anterior. O prejuízo anual de 2025 foi de R$ 9,7 bilhões. A receita líquida da holding caiu 18% no quarto trimestre e 8% no acumulado do ano. O Ebitda ficou negativo em R$ 3,83 bilhões no trimestre.
O CEO adiantou que novos desdobramentos sobre o plano para encontrar uma saída adequada para a Raízen são esperados nos próximos dias.