O setor do agronegócio registrou um número recorde de 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, um aumento alarmante de 56,4% em relação ao ano anterior, conforme dados da Serasa Experian. Este é o maior volume desde o início da série histórica em 2021.
A escalada da inadimplência, que também afeta o setor bancário, é atribuída a um cenário de juros elevados, custos de produção altos e margens de lucro apertadas devido à queda nas cotações de commodities. Mesmo com safras recordes, muitos produtores, especialmente os mais endividados, enfrentam dificuldades financeiras extremas.
Produtores rurais pessoas físicas apresentaram 853 pedidos, alta de 50,7%. Empresas rurais somaram 753 solicitações, um aumento de 84,1%. Lojas de insumos e outras empresas ligadas ao agronegócio registraram 384 pedidos, crescendo 29,3%.
Os bancos públicos, como Caixa e Banco do Brasil, sentem o impacto direto. Na Caixa, créditos problemáticos do agro triplicaram para R$ 12 bilhões, forçando o banco a aumentar provisões e resultando em queda de 39,6% no lucro do quarto trimestre de 2025. O Banco do Brasil viu sua inadimplência no setor superar em 500% a média histórica, com lucro despencando 45,4%.
A instabilidade global, como o conflito no Oriente Médio, adiciona pressão inflacionária e afeta exportações, impactando ainda mais a saúde financeira do produtor brasileiro, que já luta com financiamentos de safra atrelados a juros altos.