A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de uma investigação para apurar o vazamento de conversas íntimas e supostos diálogos com autoridades, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, extraídas de seu celular. A defesa alega que as mensagens, possivelmente editadas e fora de contexto, estão sendo divulgadas pela imprensa sem que os próprios advogados tenham tido acesso ao material completo.
Em nota, os representantes de Vorcaro pediram a instauração de um inquérito para identificar a origem do vazamento e a relação de todas as pessoas que tiveram acesso aos aparelhos apreendidos. O objetivo, segundo a defesa, não é investigar jornalistas, mas sim responsabilizar quem deveria ter a custódia legal do material, que permanece sob sigilo judicial.
O material vazado inclui prints de supostas mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. O ministro, no entanto, negou ter recebido tais mensagens, classificando a alegação como uma "ilação mentirosa" para atacar o STF.
Conversas atribuídas a Vorcaro com sua ex-namorada, Martha Graeff, também foram divulgadas, revelando supostos contatos próximos com parlamentares, políticos e autoridades do Judiciário para discutir assuntos do Banco Master, como a tentativa de venda da instituição ao BRB.
A defesa informou que o espelhamento dos dados dos aparelhos de Vorcaro foi entregue em 3 de março e lacrado na presença de policiais, advogados e tabelião para preservar o sigilo. Espera-se que as autoridades responsáveis pelo sigilo sejam identificadas e responsabilizadas.
Daniel Vorcaro foi preso novamente pela Polícia Federal em 4 de outubro, na terceira fase da Operação Compliance Zero. Ele já havia sido alvo da operação no ano anterior, mas obteve liberdade provisória com tornozeleira eletrônica. A nova prisão foi baseada em mensagens encontradas em seu celular apreendido, onde ele supostamente ameaçava jornalistas e desafetos. A Operação Compliance Zero investiga fraudes bilionárias no Banco Master, com rombos estimados em até R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos.