A valorização do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Irã, que elevou o barril a US$ 87, levanta preocupações sobre um possível aumento nos preços da gasolina e do diesel no Brasil. As importações já representam uma parcela significativa do consumo nacional: entre 10% e 30% de gasolina e diesel, respectivamente.
A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) e a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) emitiram alertas. A Fecombustíveis apontou que as distribuidoras têm aumentado os preços de fornecimento aos postos, possivelmente devido ao aumento dos custos de aquisição, tanto de refinarias privadas quanto de importação.
Até o momento, a Petrobras, principal fornecedora do país, não reajustou seus preços. Fontes indicam que a estatal avalia a duração do conflito e o comportamento dos preços do petróleo. Dados da Abicom revelam que o diesel vendido pela Petrobras está 64% mais barato que no exterior, e a gasolina, 27% mais barata, ambas defasagens recordes.
A Abicom destaca a dependência de importação para suprir a demanda nacional de diesel (aproximadamente 30%) e gasolina (cerca de 10%), pois o parque de refino nacional não atende ao volume necessário. A entidade ressalta que regiões como Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul (via Paranaguá) são mais expostas aos preços de produtos de refinarias privadas e importados, com diferenças de preço que podem ultrapassar R$ 1,00 por litro no diesel e R$ 0,40 na gasolina.
A Fecombustíveis menciona que refinarias privadas, como a Refinaria de Mataripe (BA), Clara Camarão (RN) e Amazônia (AM), tendem a seguir os preços internacionais, diferentemente da Petrobras. A federação também aponta a atuação de empresas importadoras no mercado interno.