O presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou nesta quarta-feira (04/03/2026) que a comissão recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do ministro Flávio Dino, que suspendeu a quebra de sigilo bancário e fiscal da empresária Roberta Luchsinger. Viana classificou a decisão como uma "intromissão" do Judiciário no trabalho do Parlamento.
Roberta Luchsinger é amiga de Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A CPI havia aprovado a quebra de sigilo de ambos em um mesmo pacote de requerimentos.
"Recebo com indignação a decisão proferida por Flávio Dino que suspende a quebra de sigilo aprovada pela CPI do INSS", declarou o senador, que também criticou o fato de a CPI ter tomado conhecimento da decisão pela imprensa, e não por comunicação oficial.
A Advocacia do Senado já analisa as medidas jurídicas cabíveis para reverter a decisão. Segundo Viana, a comissão não repetirá a votação enquanto os recursos não forem analisados, reafirmando a autonomia do colegiado.
A decisão de Dino atendeu a um pedido da defesa de Luchsinger, investigada por suspeita de ligação com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". O ministro argumentou que a aprovação conjunta de 87 requerimentos de quebra de sigilo poderia não atender às exigências constitucionais de fundamentação individualizada.
Dino considerou que o procedimento "parece não se compatibilizar com as exigências constitucionais e legais" e apontou risco de dano à intimidade da empresária. A liminar, contudo, se aplica apenas a Luchsinger.
Investigações da Polícia Federal indicam que a empresa de Luchsinger, a RL Consultoria, recebeu cinco pagamentos de R$ 300 mil, totalizando R$ 1,5 milhão, em contratos considerados atípicos. Mensagens obtidas pela PF sugerem que Luchsinger alertou Antunes sobre operações policiais e orientou-o a descartar celulares.