A surfista brasileira Michelle des Bouillons pode ter protagonizado um feito histórico no último dia 13 de dezembro de 2025, na Praia do Norte, em Nazaré, Portugal. Durante a etapa do WSL Big Wave Challenge, Michelle pode ter surfado a maior onda já registrada por uma mulher, superando a marca de 22,4 metros estabelecida por Maya Gabeira em 2020.
Um estudo técnico preliminar encomendado pela atleta aponta que a onda teria impressionantes 24,99 metros. A confirmação oficial, no entanto, ainda depende de um rigoroso processo de validação técnica conduzido por Bill Sharp, criador do Big Wave Challenge Award, e posteriormente encaminhado ao Guinness World Records.
Apesar da possibilidade de um novo recorde, Michelle declarou que sua principal motivação não era a marca. "Eu senti que era algo especial, mas o mais legal foi não ter hesitado, ter feito uma linha radical para dentro. Isso mostrou que eu estava preparada", afirmou a surfista ao GLOBO, emocionada.
O piloto do jet ski, Ian Cosenza, descreveu o momento como único. "Foi o mar mais perfeito do ano. A onda veio apontando lá fora. Foi o tempo exato para virar, posicionar e colocar a Michelle na parte certa", relatou.
A onda de Michelle foi classificada como da segunda leitura possível em Nazaré: aquelas que seguram a energia e concentram tudo na primeira explosão. A surfista completou o 'drop', surfou a parte mais crítica e saiu limpa, arrancando comemorações de competidores e espectadores.
A ficha da dimensão do feito só caiu quando nomes respeitados do big surf, como Rodrigo Koxa e Lucas Chianca, a incentivaram a buscar o reconhecimento oficial. "Quando pessoas do métier vieram falar para eu lutar pelo recorde, aí comecei a acreditar", confessou Michelle.
O processo de medição envolve análise de vídeo, identificação do momento de maior expressão vertical e o uso de uma unidade proporcional baseada na própria surfista para calcular a altura da onda. Segundo medições preliminares, a onda de Michelle ultrapassa o recorde feminino vigente.
Com quase dez anos de experiência em ondas gigantes e Nazaré como palco principal de sua carreira, Michelle reitera seu foco na performance. "Nunca entrei no mar querendo bater recorde. Sempre quis ser reconhecida pela performance. Deixo Nazaré me escolher. Mas naquele dia eu tinha certeza de que estava preparada", declarou.
Apesar de a bateria ter sido interrompida por questões técnicas, impedindo-a de disputar o título da etapa, Michelle mostrou serenidade. "Nem se preocupe. Eu peguei a maior onda da minha vida. Isso vale mais que qualquer troféu", disse ao piloto do jet ski.
Fonte: O Globo