Os Correios iniciarão nesta semana conversas com bancos para obter um empréstimo de até R$ 8 bilhões. A empresa busca capital para implementar ações que revertam seu atual prejuízo, o pior de sua história.
O objetivo é fechar o contrato até junho, apesar de não haver impedimentos eleitorais. No final do ano passado, a estatal já havia conseguido R$ 12 bilhões com um grupo de cinco instituições financeiras.
O novo empréstimo já recebeu sinalização positiva do governo, com o Conselho Monetário Nacional (CMN) atualizando limites para contratações de crédito para o setor público e criando um sublimite específico para os Correios com garantia da União.
As despesas com o plano, até R$ 10 bilhões, não contarão para a meta fiscal das estatais este ano, conforme a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A medida visa auxiliar a empresa após o contingenciamento orçamentário do ano passado.
Paralelamente, os Correios implementam um Plano de Demissão Voluntária (PDV), leiloam imóveis, quitam dívidas e buscam melhorar o desempenho operacional. No entanto, o índice de entregas no prazo ainda está abaixo do esperado.
A cúpula da empresa também negocia parcerias para diversificar suas receitas. Em comunicado recente, os Correios informaram que 97% das pendências financeiras foram negociadas ou regularizadas, indicando o sucesso da primeira fase do plano de saneamento financeiro.
Nesta segunda-feira, dois diretores ligados à gestão anterior foram exonerados: o diretor de Operações, Sérgio Kennedy Soares Freita, e a diretora Financeira, Loiane Bezerra de Macedo. Os novos nomes terão perfil técnico e passarão por aprovação de comitês internos.
O empréstimo atual de R$ 12 bilhões foi concedido por um consórcio formado por Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Caixa, com prazo de 15 anos, três de carência e juros de 115% do CDI ao ano.