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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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ECONOMIA

Raízen: Acionistas divergem em plano para evitar recuperação judicial

Acionistas e credores divergem em propostas para salvar a Raízen, maior produtora mundial de etanol, de uma recuperação judicial. Shell propõe injeção de US$ 3,5 bilhões, enquanto Cosan e BTG sugerem divisão da empresa. Credores pedem aporte de R$ 25 bilhões.

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Raízen: Acionistas divergem em plano para evitar recuperação judicial

São Paulo e Londres – Acionistas e credores da Raízen, gigante do etanol com R$ 55 bilhões em dívidas, buscam evitar a recuperação judicial da empresa, mas propostas conflitantes atrasam a solução. Dois planos de recapitalização dividem os principais acionistas: a Cosan, controlada por Rubens Ometto, e a Shell, dona de 44% da companhia.

A Shell propõe injetar US$ 3,5 bilhões e manter a Raízen unificada, combinando produção de etanol e distribuição de combustíveis. A empresa vê a Raízen como aposta em energia limpa e possui cerca de 9 mil postos Shell no Brasil, Paraguai e Argentina. As ações da Raízen já acumulam perdas de 62% em 12 meses e 19,7% em 2024.

O plano da Cosan, com apoio do BTG Pactual, sugere dividir a Raízen em duas companhias: uma de etanol e outra de combustíveis, ambas listadas na Bolsa. A Cosan injetaria capital, mas em menor volume que a Shell. O BTG Pactual, que se tornou o maior acionista individual da Cosan no ano passado, teria interesse em assumir o controle da distribuidora após a cisão.

A proposta da Cosan prevê um aporte de R$ 500 milhões do empresário Rubens Ometto e R$ 1 bilhão via fundos de investimento do BTG. Os credores, incluindo Bank of America, Citigroup, J.P. Morgan e Mitsubishi UFJ, converteriam cerca de 30% de seus títulos em ações.

Credores, insatisfeitos com as propostas dos acionistas, pressionam por um aporte de R$ 25 bilhões, valor que consideram o mínimo para reequilibrar financeiramente a Raízen. Eles rejeitaram a oferta de R$ 5 bilhões apresentada pelos acionistas.

A complexidade da situação levou o presidente Lula a se reunir com acionistas e executivos da Raízen para buscar uma solução. O etanol brasileiro é considerado um trunfo na transição energética.

Especialistas veem o aporte dos controladores como o principal caminho, mas a estratégia de divisão da empresa é considerada improvável. A avaliação do Bradesco BBI aponta dúvidas sobre a conversão de dívida em capital e o plano de recuperação operacional para o negócio de açúcar e etanol. O JPMorgan descreveu a situação como uma "reestruturação complexa".

Uma recuperação judicial da Raízen impactaria os planos da Shell em energia limpa. A empresa enfrenta juros altos, safras ruins e investimentos agressivos, o que levou a rebaixamentos de crédito. No terceiro trimestre do ano passado, a Raízen registrou prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões e alertou sobre sua capacidade de continuar operando.

A Shell declarou reconhecer os desafios financeiros da Raízen e estar trabalhando com as lideranças da empresa e da Cosan para reduzir o endividamento, priorizando soluções definitivas. Cosan, BTG e Raízen não comentaram o caso.

Fonte: O Globo

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