O cenário político do Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do Brasil, evidencia as dificuldades enfrentadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado desde o crescimento do bolsonarismo. As chapas para o governo estadual, anunciadas nas últimas semanas, refletem um terreno hostil para o petista. As eleições Rio: Desafios de Lula e ascensão do bolsonarismo marcam disputa pelo governo.
Na candidatura que apoia Lula, liderada por Eduardo Paes (PSD), a escolha do vice pode fragmentar a aliança e atrair votos para Flávio Bolsonaro (PL). Do outro lado, a direita aglutina partidos com forte presença local, controlando mais da metade das prefeituras fluminenses. A direita se une contra o fim da escala 6x1 e para votação.
Essa reconfiguração eleitoral é uma consequência direta do surgimento do bolsonarismo em 2018. Até então, o PT vencia com folga no Rio, especialmente em áreas populares, que nas últimas eleições presidenciais votaram majoritariamente em Jair Bolsonaro (PL).
Internamente, o PT busca minimizar as perdas, visando um desempenho menos expressivo que os 13 pontos de vantagem de Bolsonaro em 2022. A esperança petista reside em compensar a derrota no Rio com um bom resultado em São Paulo, onde a margem de Lula foi menor.
Um obstáculo para os planos do PT é o receio da maioria do establishment político local em se associar a Lula, que poderia prejudicar suas próprias candidaturas. Eduardo Paes, apesar da relação pessoal com o presidente, adota uma postura cautelosa.
Para ampliar o alcance de sua campanha, Paes indicou a advogada Jane Reis para vice, irmã do emedebista Washington Reis, que declarou apoio a Flávio Bolsonaro.
A chapa de direita, avalizada por Bolsonaro, conta com Douglas Ruas (PL) para o governo e Rogério Lisboa (PP) para vice. Para o Senado, os nomes são o governador Cláudio Castro (PL) e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União). Esses nomes representam a força das máquinas partidárias, com PL, PP e União elegendo 51 dos 92 prefeitos do estado em 2024.
Diante desse quadro, o PT aposta na força de Paes e busca fortalecer a aliança. Lula agenda reunião com Haddad e Alckmin para definir rumos em SP para apoiar o pré-candidato. O presidente estadual do PT, Diego Zeidan, ressalta a necessidade de atrair o eleitorado conservador e anuncia Benedita da Silva como candidata ao Senado.
Historicamente, o Rio de Janeiro foi um reduto do trabalhismo e do PT em eleições presidenciais. No entanto, a partir de 2018, o estado se tornou berço político de Bolsonaro, com discursos radicais encontrando terreno fértil, impulsionados por questões de segurança pública e valores conservadores, evidenciados pela expressiva população evangélica.
Fonte: O Globo