O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), e o secretário de Assuntos Legislativos do governo Lula, André Ceciliano (PT), selaram a paz nesta sexta-feira (27/02/2026), um mês após trocarem acusações públicas. O encontro, que incluiu um almoço na capital fluminense, sinaliza a disposição de Paes em apoiar a reeleição do presidente Lula (PT) no Rio de Janeiro.
"Eu disse ao Eduardo que, se ele falar que é 100% Lula, eu também sou 100% Eduardo Paes. Ele fará campanha para o presidente Lula, que é a nossa prioridade na eleição deste ano", declarou Ceciliano após o almoço. Em suas redes sociais, o secretário reforçou o gesto publicando uma foto antiga com Paes e Lula, afirmando que "não há briga que não possa terminar com um abraço e um bom aperto de mão".
As tensões surgiram em janeiro, quando Paes acusou Ceciliano de buscar apoio para uma possível candidatura ao governo do Rio junto a Rodrigo Bacellar, atual presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio (ALERJ), e insinuou ligações com o crime organizado. A Polícia Federal indiciou Bacellar nesta sexta-feira sob suspeita de conexão com o Comando Vermelho.
Ceciliano respondeu ironicamente às declarações de Paes, chamando-as de "fala nervosinha", em alusão ao apelido "Nervosinho" associado ao prefeito em delações da Lava-Jato.
A controvérsia girava em torno de uma possível eleição antecipada para o governo do Rio, convocada caso o governador Cláudio Castro (PL) renuncie até abril para disputar o Senado. A ALERJ teria que eleger um novo governador até maio, para um mandato tampão até o fim do ano. Paes via com desconfiança uma candidatura de Ceciliano, que poderia inviabilizar sua própria postulação ao governo estadual em outubro.
Enquanto Paes busca contestar as regras da eleição indireta no STF e atrair apoios, incluindo do PT, Ceciliano reforça a aliança em torno de Lula. A reaproximação também envolveu o planejamento de uma nova visita de Lula ao Rio em 5 de março, com agenda voltada para obras e ações federais.