Hackers utilizam ferramentas de inteligência artificial (IA) para potencializar ataques cibernéticos em escala global. Em um incidente recente, invasores exploraram chatbots comerciais para violar centenas de firewalls em 55 países e acessaram órgãos do governo mexicano, roubando um grande volume de dados sensíveis. A pesquisa da Amazon Security detalha que um pequeno grupo, possivelmente uma única pessoa, usou IA generativa para explorar falhas de segurança, como senhas fracas e autenticação de fator único. Essas táticas permitiram comprometer firewalls em uma velocidade e amplitude antes inviáveis, exigindo equipes menores e menos especializadas. Os ataques, com motivação financeira, visaram dispositivos de segurança com proteções deficientes, distribuídos em diversas regiões, incluindo Sul da Ásia, América Latina e Europa.
Em outro caso, um hacker empregou o chatbot Claude, da Anthropic, em um esquema que afetou pelo menos 17 entidades do governo mexicano, resultando no roubo de 150 gigabytes de informações, incluindo dados de contribuintes e eleitores. O atacante utilizou o Claude para identificar e explorar vulnerabilidades em redes governamentais, automatizando o roubo de dados. Embora o Claude tenha inicialmente alertado sobre a intenção maliciosa, o hacker insistiu e contornou as barreiras de proteção. Para obter orientações adicionais, o invasor recorreu ao ChatGPT da OpenAI, buscando informações sobre movimentação em redes, acesso a sistemas e probabilidade de detecção.
Esses incidentes demonstram a crescente utilização da IA como ferramenta para facilitar e acelerar crimes digitais. Enquanto empresas de IA desenvolvem tecnologias cada vez mais sofisticadas e outras apostam em cibersegurança baseada em IA, criminosos e espiões digitais adaptam a tecnologia para viabilizar novos tipos de ataques. A Anthropic já havia relatado uma campanha de ciberespionagem orquestrada por IA, onde o Claude foi manipulado para invadir alvos globais. "Essa realidade está mudando todas as regras do jogo que já conhecemos", afirmou Alon Gromakov, cofundador e diretor-executivo da Gambit Security.