O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu adiar a eleição para a vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), que seria aberta nesta semana com a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz. A decisão, comunicada a aliados, atende ao receio de Motta de sofrer uma derrota em plenário e gerar desgastes com o centrão, base de apoio essencial para sua gestão.
A principal preocupação é a candidatura do deputado petista Odair Cunha (MG). Aliados de Motta temem que a rejeição do nome de Cunha em votação secreta, que exige maioria absoluta (257 votos), possa enfraquecer a autoridade do presidente da Câmara. O primeiro ano de Motta foi marcado por instabilidade e questionamentos sobre sua liderança.
O acordo para a indicação de um nome do PT para o TCU foi firmado em 2024 entre Motta, seu antecessor Arthur Lira (PP-AL) e a sigla, em troca de apoio à candidatura de Motta à presidência da Casa. No entanto, a possibilidade de o PL, partido de Motta e que o apoiou, lançar candidatura própria, como a do deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), aliado de Jair Bolsonaro, já era um cenário precificado.
Lideranças do centrão não descartam que a eleição ocorra apenas após as eleições de outubro. O União Brasil, que tem candidaturas próprias em disputa interna, também postergou a definição de seu nome. Há uma tentativa de acomodar diferentes partidos em futuras vagas no TCU, como a do ministro Augusto Nardes, que se aposenta no próximo ano, mas ainda sem definição.
Procurado, Motta não comentou o adiamento. Um político próximo ao presidente da Câmara afirmou que ele está empenhado em aprovar o nome do petista, mas também receia atritos com partidos que o apoiaram em sua eleição, como PP, Republicanos, MDB, PL, Podemos, PSDB-Cidadania, PDT e PSB.
Apesar das dificuldades, o líder da bancada do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que a candidatura de Altineu Côrtes possui mais de 80 assinaturas, demonstrando consistência. O líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), também declarou apoio à mobilização pela candidatura de Côrtes.
O presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP), minimizou o impacto de uma eventual derrota do PT, afirmando que a disputa é democrática e não reflete fraqueza de Motta. Ele comparou a situação a um acordo anterior, onde a indicação de Jonathan de Jesus para o TCU só ocorreu em mandato posterior ao combinado.
O Globo