A Polícia Federal (PF) investiga o ex-senador Fernando Bezerra Coelho e seu filho, o deputado federal Fernando Coelho Filho (União-PE), por suposto direcionamento de emendas parlamentares para custear contratos firmados por uma empresa de familiares. A investigação aponta que o grupo político dos Coelho utilizou a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e a Prefeitura de Petrolina (PE) para repassar verbas públicas à Liga Engenharia, empresa ligada à família.
O ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, também foi alvo de operação da PF nesta quarta-feira (25/02/2026). Segundo a corporação, a Liga Engenharia fechou diversos contratos com o poder público, com indícios de favorecimento e desvio de verbas.
A defesa de Fernando Bezerra e Fernando Filho alegou não ter acesso à decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que autorizou as medidas, e aguarda acesso aos autos para se manifestar.
Esta não é a primeira vez que os parlamentares são investigados. Em 2022, a Operação Desintegração apurou o recebimento de vantagens indevidas por parte de empreiteiras que executavam obras ligadas ao Ministério da Integração Nacional, pasta que Bezerra comandou.
A investigação detalha uma sistemática que envolveria o controle da prefeitura de Petrolina, a influência da família Coelho em órgãos federais como a Codevasf, o direcionamento de recursos via emendas e termos de execução descentralizada, e a contratação da empresa familiar.
Registros indicam emendas de R$ 43 milhões de Fernando Bezerra em 2021 e R$ 1,9 milhão de Fernando Filho em 2023, destinadas a pavimentação. A PF aponta falta de informações sobre licitações e contratos nos repasses.
Em novembro do ano passado, reportagem do O GLOBO revelou uma obra na Orla 3 de Petrolina, bancada com R$ 22 milhões em emendas de Bezerra, que beneficiava um terreno de um familiar do ex-senador. O repasse foi feito via convênio entre a prefeitura, então comandada por Miguel Coelho, e a Codevasf.