O presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Accioly, afirmou em audiência no Senado que a autarquia começou a comunicar órgãos competentes sobre indícios de irregularidades envolvendo o grupo Master e a Reag em 2017. Segundo Accioly, essas comunicações foram feitas ao Ministério Público Federal (MPF), Banco Central (BC), Superintendência de Seguros Privados (Susep) e Receita Federal ao longo dos anos.
Um ofício enviado em junho do ano passado para o MPF detalhou empréstimos de R$ 500 milhões do Master para clínicas de fachada, o que, segundo Accioly, deu base para a Operação Compliance Zero da Polícia Federal. A CVM apura 200 processos abertos relacionados ao caso Master e Reag.
A senadora Leila Barros (PDT-DF) criticou a atuação, sugerindo omissão no processo. "Se a CVM identificou, comunicou ao MPF, e a fraude aconteceu, onde está o erro?", questionou.
Accioly explicou que o caso Master possui particularidades, com suspeitas de que investidores atuaram ativamente na fraude contábil para manter a percepção de solidez das empresas. Ele ressaltou que a emissão de CDBs e letras financeiras é responsabilidade do Banco Central.