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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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ECONOMIA CRIATIVA

IA pode reduzir receitas da música em até 24%, alerta Unesco

Relatório da Unesco aponta que inteligência artificial pode gerar perdas de até 24% nas receitas da indústria musical e audiovisual até 2028, além de ameaçar a liberdade artística e o financiamento público.

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IA pode reduzir receitas da música em até 24%, alerta Unesco

A inteligência artificial (IA) representa uma ameaça crescente para a indústria musical e audiovisual. Um relatório da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) estima que a produção de conteúdo por IA poderá causar uma queda de até 24% nas receitas globais de músicos e de 21% no setor audiovisual até 2028. O estudo, que abrangeu mais de 120 países, também aponta riscos para a liberdade artística e o financiamento público da cultura.

O documento "Re|thinking Policies for Creativity" destaca que as receitas digitais já compõem 35% do faturamento dos criadores, um aumento expressivo em relação aos 17% registrados em 2018. Essa mudança estrutural, contudo, vem acompanhada de maior precarização e exposição a violações de direitos autorais.

Khaled El-Enany, diretor-geral da Unesco, ressaltou a necessidade de fortalecer o apoio aos profissionais da cultura diante das transformações impulsionadas pela IA e pelo avanço digital. O relatório também evidencia disparidades significativas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento no acesso a competências digitais e no apoio à mobilidade artística internacional.

A pesquisa revelou ainda que, embora 85% dos países incluam as indústrias culturais e criativas em seus planos de desenvolvimento, apenas 56% definem objetivos culturais específicos, indicando uma lacuna entre o discurso e a prática. O financiamento público direto para a cultura permanece baixo, abaixo de 0,6% do PIB global, com tendência de queda.

Em relação à igualdade de gênero, o relatório aponta avanços na liderança feminina em instituições culturais, que passou de 31% em 2017 para 46% em 2024. No entanto, a desigualdade na distribuição de cargos de liderança entre países desenvolvidos (64%) e em desenvolvimento (30%) persiste, com muitas nações ainda posicionando mulheres mais como consumidoras do que como criadoras e líderes culturais.

O relatório é a quarta parte da série que monitora a implementação da Convenção da Unesco de 2005 sobre a proteção e promoção da diversidade de expressões culturais. Fonte: Agência Brasil

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