O senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, reagiu neste sábado (22/02/2026) à articulação política liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para indicar a deputada federal Carol De Toni (PL-SC) e o ex-vereador Carlos Bolsonaro como candidatos ao Senado por Santa Catarina. A movimentação contraria os planos do governador Jorginho Mello (PL) e da cúpula do PL, que buscavam flexibilidade para alianças locais.
Apesar de Bolsonaro defender a chapa com De Toni e Carlos, o governador Mello e a direção do PL catarinense trabalham para manter a definição das vagas em aberto. A deputada federal Carol De Toni, que se sentiu preterida pela cúpula do PL, chegou a sinalizar a possibilidade de deixar o partido, recebendo apoio público da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Em meio ao impasse, Carlos Bolsonaro compartilhou nas redes sociais uma imagem com De Toni. A deputada havia sido preterida em favor de uma aposta nos nomes de Carlos e do senador Espiridião Amin (PP) para a disputa ao Senado, conforme articulação nacional do PL. Após a repercussão, Ciro Nogueira postou em suas redes sociais uma reportagem onde De Toni pede uma carta de Bolsonaro para permanecer no PL, com a legenda: "Nós dos Progressistas somos do tempo em que acreditamos em PALAVRA!!!!!!".
Aliados de Bolsonaro afirmam que o ex-presidente considera o cenário catarinense praticamente resolvido, com Carol De Toni e Carlos Bolsonaro como seus indicados diretos. O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), após visitar Bolsonaro, declarou que "Santa Catarina está resolvida: Carol de Toni e Carlos Bolsonaro".
A crise interna no PL catarinense se intensifica com a falta de garantia de espaço na chapa ao Senado para De Toni, que considera deixar a legenda. A deputada busca apoio direto de Bolsonaro para seu projeto eleitoral, diante da resistência do grupo político do governador Jorginho Mello, que deseja usar a segunda vaga como moeda de troca em alianças locais.
Apesar das definições em andamento, De Toni mantém interlocução com a família Bolsonaro e conta com o apoio de Michelle Bolsonaro. Nos bastidores, a avaliação é que as declarações de Bolsonaro visam conter a saída da deputada do PL. Aliados do ex-presidente entendem que a alta aprovação de Mello no estado diminui a necessidade de usar a vaga ao Senado para composições partidárias, abrindo espaço para uma chapa pura. O senador Esperidião Amin, por sua vez, sinaliza que disputará a reeleição independentemente das decisões do PL.
Fonte: O Globo