Milão-Cortina 2026 presenciou o retorno triunfal do backflip à patinação artística olímpica, um movimento banido por meio século. O salto mortal para trás, que havia sido legalizado em 2024 pela União Internacional de Patinação (ISU), marcou o fim dos Jogos de Inverno com um resgate histórico.
O backflip estreou nas Olimpíadas em 1976, com o americano Terry Kubicka. Na época, sem regras explícitas contra o movimento, ele surpreendeu o público. Pouco depois, a ISU o baniu, alegando razões de segurança e técnicas. O salto era considerado acrobático demais e a aterrissagem tradicional com os dois pés contrariava as regras de pontuação.
Mesmo banido, o movimento persistiu. A patinadora francesa Surya Bonaly, inspirada pela ginástica, executou o backflip em exibições em 1992 e 1994. Em Nagano 1998, já lesionada e fora da disputa por medalhas, Bonaly realizou o salto proibido em sua apresentação. A aterrissagem em um pé, embora não somasse pontos, tornou-se um ato icônico de resistência e expressão artística.
Décadas depois, a ISU reavaliou a proibição. Em 2024, o backflip foi retirado da lista de elementos restritos, deixando de gerar penalidade automática. Embora não tenha valor técnico próprio, o movimento foi gradualmente reintegrado às competições.
Em Milão-Cortina 2026, o americano Ilia Malinin foi o destaque ao executar o backflip. Ele realizou o salto no programa curto com aterrissagem dupla e arriscou aterrissagem em um pé no programa longo. O movimento, embora não decisivo para a pontuação, gerou forte impacto artístico e emocionou o público.
O retorno oficial do backflip ao gelo olímpico encerra um ciclo de 50 anos desde sua proibição e reafirma a evolução da patinação artística, abraçando a ousadia e a expressão individual. Fonte: O Globo.