O Brasil não perderá competitividade com a nova tarifa global de 10% anunciada pelos Estados Unidos, afirmou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, nesta sexta-feira (20).
Segundo Alckmin, a taxa será aplicada a todos os países exportadores, mantendo o Brasil em igualdade de condições no mercado norte-americano.
A declaração ocorre após a Suprema Corte dos EUA derrubar tarifas impostas anteriormente por Donald Trump. Por seis votos a três, a Corte decidiu que a criação de tarifas é prerrogativa do Congresso.
O julgamento anulou parte do pacote de tarifas de Trump, que incluía uma alíquota global de 10% e uma sobretaxa adicional de 40% sobre produtos brasileiros.
Alckmin considerou a decisão "muito importante" e acredita que ela abre espaço para ampliar o comércio bilateral. Ele destacou que, no auge das medidas, 37% das exportações brasileiras eram afetadas, percentual que caiu para 22% no fim do ano passado.
Trump reagiu à decisão anunciando que buscará novos caminhos legais para manter sua política tarifária e confirmou a criação da nova taxa global de 10%.
"Os 10% são globais. Não perdemos competitividade", reforçou Alckmin, destacando que setores como máquinas, motores, madeira, pedras ornamentais, café solúvel e frutas podem se beneficiar da redução das barreiras anteriores.
Ele também mencionou que produtos como aço e alumínio, afetados pela Seção 232, podem ter desdobramentos jurídicos.
Alckmin ressaltou que o Brasil não gera déficit comercial para os EUA e defendeu a continuidade do diálogo bilateral, afirmando que "a negociação continua".
Especialistas avaliam que a derrubada das tarifas pode impulsionar as exportações brasileiras e reduzir pressões inflacionárias nos EUA.
As exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 37,7 bilhões em 2025, representando 10,8% do total vendido pelo Brasil ao exterior. A redução das barreiras comerciais pode impactar o fluxo de investimentos e o dólar.
Apesar da decisão judicial, Trump sinalizou que poderá criar novas tarifas por outros instrumentos legais, mantendo a proteção à indústria americana como foco.