A ambição de Ciro Gomes (PSDB) de concorrer ao governo do Ceará enfrenta um novo obstáculo. O União Brasil, partido que Ciro busca atrair para sua aliança, tem se aproximado do Partido dos Trabalhadores (PT) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado. A legenda demonstra maior inclinação a apoiar a reeleição do atual governador, Elmano de Freitas (PT).
A direção nacional do União Brasil está sob pressão tanto de Ciro Gomes quanto de aliados de Lula. Apesar de uma postura de oposição no final de 2025, o partido intensificou conversas com o governo federal nos últimos meses, especialmente na região Nordeste.
Fontes ligadas à cúpula do União Brasil indicam que o foco principal da sigla é maximizar a eleição de deputados federais. Decisões regionais serão tomadas com base nesse objetivo. Sob essa ótica, a liderança nacional, presidida por Antonio Rueda, considera uma aliança com o PT no Ceará mais vantajosa do que com o grupo de Ciro Gomes.
Um cenário semelhante ocorre em Pernambuco, onde o União Brasil apoia o prefeito do Recife, João Campos (PSB), para o governo. Contudo, a aliança enfrenta resistência do PP local, liderado pelo deputado Eduardo Fonte, aliado da governadora Raquel Lyra (PSD), que busca a reeleição.
Na Bahia, a federação caminha para uma posição de oposição ao PT, com ACM (União Brasil) cotado para disputar o governo contra o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Internamente no Ceará, o União Brasil está dividido. Deputados federais como Moses Rodrigues e Fernanda Pessoa, além de prefeitos do interior, defendem a aliança com o PT. Em contrapartida, o deputado federal Danilo Forte e o ex-deputado Capitão Wagner apoiam um acordo com Ciro Gomes e o PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A oposição já discute a distribuição de cargos em uma possível aliança. A proposta inclui Ciro Gomes como candidato a governador, Capitão Wagner a senador, e Roberto Cláudio (União Brasil) e o PL ocupando posições de vice-governador ou senador.
Ciro Gomes reuniu-se com Antonio Rueda (União Brasil) e Ciro Nogueira (PP) no início de fevereiro, mas o apoio da federação ainda não está garantido. O deputado Danilo Forte confirmou o jantar e a defesa do apoio na ocasião.
Aliados de Ciro Gomes no União Brasil argumentam que ele precisa apresentar candidatos a deputado federal mais competitivos do que os apoiados pelo PT. Ciro teria prometido filiar seus aliados ao União Brasil, e não ao PSDB, para assegurar o apoio, mas a decisão final depende da concretização dessa promessa.
O PP cearense majoritariamente apoia o PT e Lula, mas a definição final deve concentrar-se no União Brasil, devido ao seu maior número de deputados federais.
O União Brasil, que deve formar federação com o PP, ainda não definiu posição para a eleição presidencial, com tendência à neutralidade. Mesmo um eventual apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não impediria alianças locais com o PT.
Espera-se que os acordos regionais se tornem mais claros após o pronunciamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o pedido de formação de federação entre União Brasil e PP, previsto para o final do mês.
Ciro Gomes tem evitado confirmar sua candidatura, declarando em 7 de fevereiro: "É o começo de uma caminhada que, no fim, vai dar uma decisão se eu sou candidato ou não. Mas antes eu tenho que conversar, e a conversa é aqui dentro, porque tem uma briga. Meu juízo dizendo pra eu não ser candidato e meu coração já todo balançado para eu ser candidato". O PSDB, contudo, descarta a possibilidade de Ciro não concorrer.