Mark Zuckerberg, CEO da Meta, foi convocado a depor nesta quarta-feira em um julgamento histórico nos Estados Unidos. O processo investiga o vício em redes sociais e acusa plataformas como Instagram de serem projetadas para causar dependência em jovens.
Zuckerberg, 41 anos, é a testemunha mais esperada no caso, que ocorre na Califórnia. O julgamento é o primeiro de uma série que pode criar precedentes legais para milhares de ações contra gigantes da tecnologia. Esta marca a primeira vez que o bilionário falará a um júri sobre a segurança de suas plataformas.
Os 12 jurados ouvirão depoimentos até o final de março para determinar se Google (YouTube) e Meta (Instagram) têm responsabilidade pelos problemas de saúde mental de Kaley G.M., uma jovem de 20 anos que usa redes sociais compulsivamente desde a infância. Ela começou com YouTube aos seis e Instagram aos 11 anos.
O caso, juntamente com outros dois similares previstos para o verão, busca um parâmetro para resolver milhares de ações que culpam redes sociais por impulsionar depressão, ansiedade, transtornos alimentares e suicídios entre jovens. O foco está no design dos aplicativos e algoritmos, pois a lei americana oferece imunidade quase total às plataformas quanto ao conteúdo gerado por usuários. TikTok e Snapchat já firmaram acordos confidenciais.
Adam Mosseri, chefe do Instagram, já depôs, rejeitando o termo 'vício em redes sociais' e preferindo 'uso problemático'. Ele comparou o uso a maratonar séries da Netflix. A psiquiatra Anna Lembke explicou como redes sociais podem atuar como 'drogas de entrada' para jovens. Neal Mohan, chefe do YouTube, também deveria depor, mas outro executivo da plataforma será convocado.
Paralelamente, um caso nacional em Oakland pode resultar em novo julgamento em 2026. A Meta também enfrenta um julgamento no Novo México sobre proteção de menores contra predadores sexuais.
Fonte: O Globo