O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou a permissão para que servidores do Legislativo recebam salários acima do teto do funcionalismo. A decisão, anunciada na noite de terça-feira, encontrou apoio entre líderes partidários e arrefeceu os movimentos para reverter o veto no Congresso Nacional. O dispositivo vetado fazia parte de um pacote de reajustes e reestruturação de carreiras aprovado pela Câmara há duas semanas. Lula manteve o aumento salarial previsto para 2026, mas barrou o escalonamento de benefícios até 2029, licença compensatória, pagamentos retroativos e alterações em regras previdenciárias que poderiam permitir remunerações superiores ao teto de R$ 46.366,19. A licença previa a acumulação de um dia de folga a cada três dias trabalhados, com possibilidade de conversão em dinheiro e isenção de Imposto de Renda. Líderes da base aliada, como Eduardo Braga (MDB-AM), Mário Heringer (PDT-MG) e Pedro Paulo (PSD-RJ), manifestaram apoio ao veto. Heringer classificou o modelo da licença como "vergonhoso" e "difícil de engolir", enquanto Pedro Paulo alertou para a "repercussão negativa" caso o Congresso derrube a decisão. A oposição, por sua vez, demonstra cautela. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse estar focado em outro veto e delegou a questão para a Mesa Diretora da Casa. O relator do projeto, Alberto Fraga (PL-DF), criticou a "desmoralização do Congresso", mas também transferiu a decisão para as cúpulas. O cenário já era pressionado por uma decisão do ministro do STF Flávio Dino, que suspendeu pagamentos acima do teto feitos via verbas indenizatórias. Parlamentares veem o veto como uma consequência esperada. "Em ano eleitoral, parlamentares não querem pagar desgastes", resumiu a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
POLÍTICA
Veto de Lula a salários acima do teto tem apoio e esfria derrubada no Congresso
Veto de Lula a salários acima do teto no Legislativo encontra apoio entre líderes e esfria articulação por derrubada no Congresso. Dispositivo permitia remuneração superior ao teto do funcionalismo público.