A Oi entrou com uma ação de responsabilidade contra seus antigos acionistas de referência, fundos representados pela Pimco, na Justiça do Rio de Janeiro. A operadora de telefonia alega abuso de poder de controle e atos ilícitos que teriam prejudicado a companhia, seus minoritários e credores durante o processo de recuperação judicial.
Segundo a Oi, os ex-controladores, que detinham 78,20% do capital votante, ignoraram seus deveres fiduciários após adquirirem participação relevante. A ação afirma que eles implementaram uma estratégia para reaver prioritariamente seus próprios créditos, tanto concursais quanto extraconcursais, em detrimento da saúde financeira da empresa.
A operadora denuncia que os fundos, por meio da indicação de diretores e conselheiros, autorizaram a contratação de assessores financeiros e alteraram a política de remuneração para beneficiar seus indicados. A gestão atual cita o pagamento de R$ 7,5 milhões em nove meses de 2025 para três executivos, além de honorários milionários e bônus, o que teria comprometido recursos para pagar dívidas de R$ 2 bilhões fora da recuperação judicial.
A ação é uma resposta a uma decisão judicial anterior que determinou a apuração da responsabilidade dos antigos controladores. A Oi pede o reconhecimento do abuso de poder e indenização, além do bloqueio de créditos detidos pelos fundos e a suspensão de seus direitos políticos e deliberativos.
A disputa ocorre em meio à iminente venda da V.Tal, principal ativo da Oi, com valor mínimo de R$ 12 bilhões. A venda é crucial para a recuperação da empresa, mas já gera contestações judiciais de credores, incluindo o UMB Bank, representante de fundos como a Pimco, que critica o processo e sugere a conversão de créditos em ações da V.Tal (credit bid).
A Oi encerrou 2025 com R$ 43,9 bilhões em dívidas e 164.706 credores. A Pimco figura entre os credores com garantias, com R$ 13,8 bilhões. Os trabalhadores somam R$ 1,03 bilhão a receber.
Procurada, a Pimco refuta as acusações, classificando-as como infundadas e desprovidas de mérito. A empresa afirma que a ação da Oi tenta violar proteções legais concedidas a credores que converteram dívida em capital. A instituição alega que as dificuldades financeiras da Oi são um histórico conhecido, com a companhia em recuperação judicial há mais de uma década, e considera injusto atribuir responsabilidade à Pimco.
Fonte: O GloboOi acusa ex-controladores de abuso de poder e entra com ação bilionária