Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), cogita deixar o cargo antes do final de seu mandato em outubro de 2027, segundo informações do jornal Financial Times. A antecipação permitiria que o presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, escolhessem conjuntamente seu sucessor. A reportagem cita uma fonte anônima com acesso ao assunto. Ainda não há data definida para a saída.
Um porta-voz do BCE declarou que Lagarde está focada em suas funções e não tomou qualquer decisão sobre o fim de seu mandato. François Villeroy de Galhau, presidente do Banco da França, classificou o assunto como um rumor, sem se aprofundar.
Mercados financeiros reagiram com pouca alteração. O euro cedeu levemente frente ao dólar, com analistas indicando que é cedo para avaliar o impacto na moeda única. Andrzej Szczepaniak, economista do Nomura, acredita que a substituição de Lagarde teria impacto mínimo nas decisões do BCE, dada a estabilidade esperada da inflação e do crescimento econômico. Ele prevê que as taxas de juros permanecerão inalteradas e que a sucessão não mudará radicalmente a abordagem do banco.
Lagarde já foi associada a saídas antecipadas anteriormente. Em junho do ano passado, ela negou planos de assumir a liderança do Fórum Econômico Mundial, reafirmando seu compromisso com o mandato. Recentemente, expressou surpresa ao descobrir que o mandato no BCE, iniciado em 2019, era de oito anos, e não de cinco.
As especulações ganharam força com a possibilidade de a extrema-direita vencer as eleições presidenciais francesas no próximo ano. A escolha do sucessor de Lagarde pode ser antecipada para evitar que Marine Le Pen ou Jordan Bardella influenciem a decisão. O ministro da Economia da Espanha, Carlos Cuerpo, indicou que o país está pronto para antecipar o cronograma e buscar um papel de liderança no novo Comitê Executivo do BCE.
Nomes como Pablo Hernández de Cos (Espanha), Klaas Knot (Holanda), Joachim Nagel (Alemanha) e Isabel Schnabel (Comitê Executivo do BCE) são cotados para a sucessão. No entanto, há divergências sobre o momento da decisão. O ministro das Finanças da Áustria, Markus Marterbauer, e seu colega alemão, Lars Klingbeil, defendem o cumprimento do cronograma padrão. O ministro francês Roland Lescure elogiou Lagarde, mas recusou-se a comentar.