O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), Kléber Cabral, confirmou que o auditor Ricardo Mansano admitiu ter acessado dados da enteada do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Maria Carolina Feitosa. Segundo Cabral, Mansano agiu por "burrice" e "ideia cretina", mas o acesso não teria relação com vazamentos de dados.
Mansano foi um dos alvos de operação da Polícia Federal por suposto vazamento de dados sigilosos de ministros do STF e familiares. A investigação da Receita apontou indícios de acesso irregular a informações fiscais de magistrados e parentes.
O auditor, lotado em Presidente Prudente (SP), alegou que a pesquisa foi feita para verificar se Maria Carolina, citada em uma reportagem, era esposa de um ex-colega. A busca teria ocorrido em novembro do ano passado, atingido documentos antigos de 2008 e não ultrapassado a tela inicial do sistema.
"Não há registros de vazamento de dados de Maria Carolina. Então não tem nada a ver com essa história", defendeu Cabral. Ele classificou a medida determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, como "desproporcional" e com "objetivo intimidatório".
Cabral criticou o pedido de Moraes à Receita para apuração de possível vazamento de dados de cerca de 100 pessoas, incluindo ministros e familiares, no âmbito do inquérito das fake news. Para o presidente da Unafisco, a apuração ostensiva aumenta a chance de um "falso positivo".
Ele reconheceu que o acesso indevido foi um erro, passível de procedimento disciplinar. Contudo, afirmou que as medidas tomadas pelo STF foram desproporcionais. Sem vazamento, caberia advertência; com vazamento, demissão.
Os quatro suspeitos foram afastados dos cargos, tiveram passaporte cancelado, recolhimento noturno e monitoramento por tornozeleira eletrônica. Cabral vê "certo método" no STF, com objetivo de criar um discurso de vítima e intimidar servidores que investigam altas autoridades.
A Unafisco também criticou o Fisco por repassar informações sobre os servidores ao STF em fase preliminar. Em nota, a Receita informou que a auditoria está em andamento, mas que desvios detectados foram preliminarmente informados ao relator no STF.