Ir para o conteúdo

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

INVESTIGAÇÃO

Auditor acessou dados de enteada de Gilmar por "burrice", diz associação

Presidente da Unafisco diz que auditor acessou dados de enteada de Gilmar Mendes por "burrice" e "ideia cretina", mas sem vazamento. Medidas do STF são consideradas desproporcionais.

Compartilhe
WhatsApp
Auditor acessou dados de enteada de Gilmar por "burrice", diz associação

O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), Kléber Cabral, confirmou que o auditor Ricardo Mansano admitiu ter acessado dados da enteada do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Maria Carolina Feitosa. Segundo Cabral, Mansano agiu por "burrice" e "ideia cretina", mas o acesso não teria relação com vazamentos de dados.

Mansano foi um dos alvos de operação da Polícia Federal por suposto vazamento de dados sigilosos de ministros do STF e familiares. A investigação da Receita apontou indícios de acesso irregular a informações fiscais de magistrados e parentes.

O auditor, lotado em Presidente Prudente (SP), alegou que a pesquisa foi feita para verificar se Maria Carolina, citada em uma reportagem, era esposa de um ex-colega. A busca teria ocorrido em novembro do ano passado, atingido documentos antigos de 2008 e não ultrapassado a tela inicial do sistema.

"Não há registros de vazamento de dados de Maria Carolina. Então não tem nada a ver com essa história", defendeu Cabral. Ele classificou a medida determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, como "desproporcional" e com "objetivo intimidatório".

Cabral criticou o pedido de Moraes à Receita para apuração de possível vazamento de dados de cerca de 100 pessoas, incluindo ministros e familiares, no âmbito do inquérito das fake news. Para o presidente da Unafisco, a apuração ostensiva aumenta a chance de um "falso positivo".

Ele reconheceu que o acesso indevido foi um erro, passível de procedimento disciplinar. Contudo, afirmou que as medidas tomadas pelo STF foram desproporcionais. Sem vazamento, caberia advertência; com vazamento, demissão.

Os quatro suspeitos foram afastados dos cargos, tiveram passaporte cancelado, recolhimento noturno e monitoramento por tornozeleira eletrônica. Cabral vê "certo método" no STF, com objetivo de criar um discurso de vítima e intimidar servidores que investigam altas autoridades.

A Unafisco também criticou o Fisco por repassar informações sobre os servidores ao STF em fase preliminar. Em nota, a Receita informou que a auditoria está em andamento, mas que desvios detectados foram preliminarmente informados ao relator no STF.

Leia também