Uma investigação sobre o vazamento de dados fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares está dividindo opiniões dentro da própria Corte. A apuração, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, mira quatro servidores da Receita Federal suspeitos de acessarem irregularmente informações sigilosas. Entre os alvos estariam a mulher e o filho de Moraes, além da ex-mulher do ministro Gilmar Mendes.
Uma ala de magistrados apoia a investigação, vendo o caso como uma tentativa de manchar a imagem do tribunal. Eles defendem punição aos responsáveis e veem semelhanças com o clima político da Operação Lava-Jato. Por outro lado, um segundo grupo prega cautela, alertando para o risco de questionar a atuação de órgãos de controle sem indícios concretos de irregularidades.
O episódio ocorre em um momento delicado, com o STF discutindo a adoção de um Código de Conduta. Críticos apontam que uma decisão anterior de Moraes, em 2019, que limitou o acesso do Tribunal de Contas da União (TCU) a dados fiscais de servidores da Receita, contrasta com a atual determinação para investigar os vazamentos.
Este não é o primeiro embate entre auditores fiscais e membros do STF. Em 2019, o Fisco já havia solicitado a abertura de inquérito para apurar a inclusão de parentes de magistrados em uma análise de irregularidades tributárias. O caso atual também surge após reportagens sobre um contrato milionário envolvendo a mulher de Alexandre de Moraes e o Banco Master, que foi posteriormente liquidado pela Polícia Federal.