A inteligência artificial (IA) já demonstra potencial para influenciar o eleitorado brasileiro nas eleições de 2026. Chatbots como ChatGPT, Gemini e Claude, embora programados para não indicar candidatos, analisam perfis, resumem pesquisas e listam prós e contras de potenciais concorrentes, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Pesquisas recentes de universidades como Oxford e a publicação Nature indicam que conversas com IAs podem ser mais persuasivas do que a propaganda eleitoral tradicional, alterando opiniões políticas em até 15,9 pontos percentuais.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) busca definir regras para o uso da IA nas eleições, enquanto pesquisadores alertam para o risco de desinformação e manipulação. Estudos revelam que chatbots, vistos erroneamente como neutros, podem reproduzir vieses e erros factuais. Uma pesquisa do Aláfia Lab apontou que 9,7% dos brasileiros já consideram IAs uma fonte de informação confiável. Um estudo de Oxford identificou que o ChatGPT tende a atribuir menor inteligência a brasileiros das regiões Norte e Nordeste, evidenciando um viés regional preocupante.
A disseminação de deepfakes e deepnudes gerados por IA é outra preocupação crescente. Vídeos manipulados podem questionar a integridade do sistema eleitoral, enquanto imagens falsas podem intensificar a violência política de gênero. A Agência Lupa registrou um salto de 4,65% para 25,77% em conteúdos falsos produzidos com IA, com quase metade deles tendo viés político.
O TSE enfrenta o desafio de implementar as regras existentes, com propostas como a criação de um plano de conformidade obrigatório para empresas de tecnologia. A capacidade do tribunal de fiscalizar e regular o ambiente digital, onde a IA opera com crescente opacidade, é vista como um obstáculo crucial para garantir a integridade do processo eleitoral.