Rio de Janeiro – Fantasias que retrataram famílias conservadoras em latas de conserva, apresentadas pela Acadêmicos de Niterói em seu desfile neste domingo (15/02/2026), geraram forte reação de parlamentares da direita. A ala, denominada "neoconservadores em conserva", representava grupos que se opõem a pautas defendidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As fantasias mostravam um homem, uma mulher e duas crianças, simbolizando representantes do agronegócio, evangélicos e da direita, que, segundo a escola, defendem pautas como flexibilização do porte de armas, exaltação às Forças Armadas e valores tradicionais da família.
A primeira-dama Michelle Bolsonaro criticou o desfile, afirmando que expôs "a fé cristã ao escárnio" e cobrou posicionamento da Frente Parlamentar Evangélica. O deputado federal Gilberto Nascimento (PSD-SP), presidente da Frente, classificou a fantasia como "inadmissível" e uma ofensa a milhões de cristãos brasileiros, prometendo "medidas cabíveis".
Parlamentares como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usaram as redes sociais para criticar a representação. Ferreira insinuou que a esquerda "odeia a família conservadora" e pediu que evangélicos se lembrem do desfile nas eleições. Flávio Bolsonaro criticou o "ataque à fé de milhões" e a "debochagem financiada pelo próprio governo".
Senadores como Rogério Marinho e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também manifestaram repúdio. Marinho ironizou a situação com uma foto de sua família em lata de conserva, argumentando que a esquerda "zomba da família" e perdeu sintonia com o povo. Alves classificou o uso de verba pública para ridicularizar a igreja evangélica e o agronegócio como "inadmissível".
O Partido Liberal (PL) divulgou um vídeo com a mesma temática, afirmando que "família não é fantasia de carnaval" e que a esquerda "resolveu zombar das famílias brasileiras". O deputado Deltan Dallagnol (Novo-PR) também se manifestou, defendendo que a família "deve ser valorizada".
Em nota, o PT defendeu que o enredo sobre Lula é "liberdade de expressão artística e cultural" e que o desfile foi organizado de forma "autônoma" pela escola de samba, não configurando propaganda eleitoral antecipada.